Os parafusos da poltrona do ministro petista Paulo Pimenta pareciam frouxos cada vez que Lula dizia que algo precisava ser feito na comunicação do seu governo. Em dois lances, a situação de Pimenta mudou de patamar. Num, Lula jogou na frigideira o chefe da Secretaria de Comunicação do Planalto. Noutro, o Partido dos Trabalhadores elevou a intensidade da chama que arde sob Pimenta. Tudo isso aconteceu num intervalo de menos de 24 horas.
Na noite de sexta-feira, discursando numa videoconferência transmitida para a cúpula do PT, Lula ajustou sua prosa: "Há um erro do governo na questão da comunicação e sou obrigado a fazer as correções necessárias." Na tarde deste sábado, a direção.
a direção nacional do partido aprovou resolução cujo texto anota: "Lula faz um ótimo governo que precisa apenas ajustar o modo de comunicar e informar o seu povo", pois as realizações "não estão se traduzindo em aumento de popularidade do presidente e de sua gestão."
A alturas tantas do seu pronunciamento, Lula democratizou as responsabilidades: "O PT tem culpa, o meu governo tem culpa. A gente não pode permitir em nenhum momento que alguém que pensa como pensa a extrema direita no nosso país tenha mais espaço nas redes sociais do que nós, mais informação na internet do que nós. E consiga projetar suas maldades mais do que a gente consegue projetar as bondades que nós fazemos"
Na sequência, Lula ajustou o foco, mirando diretamente em Pimenta. "A gente não conseguiu, sequer, em dois anos de governo, fazer um estudo mais aprofundado sobre a questão digital e sequer conseguimos fazer uma licitação para ter uma imprensa digitalizada, mais competitiva. Isso é uma coisa que vamos ter que levar em conta nesses dois anos que faltam para terminar meu governo. Começar, inclusive, fazendo licitação para que a gente tenha a questão da digitalização levada muito a sério, tanto pelo governo, quanto pelo nosso partido."
No início do ano, a Secom realizou uma concorrência milionária para contratar empresas que operariam a engrenagem de comunicação digital do governo
Um negócio de R$ 197,7 milhões. Uma quebra no sigilo levou o Tribunal de Contas da União a ordenar a suspensão da licitação. O órgão considerou a suspeita de direcionamento da disputa um fato de "extrema gravidade".
Sem que seu nome tenha sido mencionado explicitamente nem no discurso o chefe nem no texto da resolução do PT, Pimenta passou a arder em óleo quente num instante em que Brasília aguarda por uma reforma ministerial. Lula soou como se desejasse fazer o ajuste na comunicação antes que o ministro responsável pelo setor fique bem passado: "Essa é uma das minhas preocupações que quero começar a resolver no começo de ano e quero resolver junto com o partido." Ficou subenten
Um negócio de R$ 197,7 milhões. Uma quebra no sigilo levou o Tribunal de Contas da União a ordenar a suspensão da licitação. O órgão considerou a suspeita de direcionamento da disputa um fato de "extrema gravidade".
Sem que seu nome tenha sido mencionado explicitamente nem no discurso o chefe nem no texto da resolução do PT, Pimenta passou a arder em óleo quente num instante em que Brasília aguarda por uma reforma ministerial. Lula soou como se desejasse fazer o ajuste na comunicação antes que o ministro responsável pelo setor fique bem passado: "Essa é uma das minhas preocupações que quero começar a resolver no começo de ano e quero resolver junto com o partido." Ficou subentendido que a fritura de Pimenta será concluída em cozinha comunitária.
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