Para colocar seus adversários — que, na realidade, são contrários à aplicação da lei — em situações complicadas, André Mendonça não precisa recorrer a conluios ou artimanhas. O ministro apenas se utiliza dos meios legítimos disponíveis a ele.
Ao analisar a situação, observa-se a estratégia que ele empregou, atingindo três alvos de uma vez, sendo o principal deles Alexandre de Moraes.
De acordo com a jornalista Andreza Matais, do Metrópoles, “em ofício (à PGR), o ministro solicitou informações complementares sobre o conteúdo de mensagens enviadas por WhatsApp que cita duas autoridades da República: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet”.
As mensagens em questão, enviadas por Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, revelam que o banqueiro do Master pedia proteção de Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.
Foram trocadas várias mensagens entre eles, e não resta dúvida de que eram destinadas ao ministro — que as respondeu em modo de visualização única para evitar deixar rastros. Antes de a Polícia Federal descobrir, o ministro negava ser o destinatário de Daniel Vorcaro. Portanto, Alexandre de Moraes falsificou sua versão.
Os jornalistas Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento divulgaram, na manhã de hoje, a íntegra de algumas comunicações que o banqueiro do Master enviou ao seu interlocutor influente.
É alarmante a proximidade entre o responsável pela maior fraude do sistema financeiro do país e um ministro do STF. Em 30 de outubro, o banqueiro do Master comunicou a Alexandre de Moraes que alteraria a data de sua viagem a Abu Dhabi “para conseguir te ver, se puder na terça-feira!”.
Nessa mesma mensagem, ele mencionou ter “informações informais e em confidência de turma do banco central, que G e os diretores estão na pressão máxima de novo pra uma medida, pois o bacen está sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farão algo contra mim”. G refere-se ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, com quem Alexandre de Moraes já havia discutido a aquisição do Master pelo BRB.
É nesse contexto que Daniel Vorcaro solicita ajuda ao ministro: “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, só não pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que têm ido ao Bacen alegando que farão algo em breve”.
Existem também outras mensagens enviadas ao ministro nas vésperas da primeira prisão do banqueiro do Master, ocorrida em 17 de novembro de 2025. Nelas, Daniel Vorcaro demonstra já estar ciente da prisão e reitera seu pedido de proteção.
Em uma dessas mensagens, datada de 16 de novembro, ele escreve: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”.
No dia anterior, ele questionou Alexandre de Moraes: “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”. E ainda: “Acha que segunda já tenho de estar fora?”
Temos, portanto, um criminoso consultando um ministro do STF a respeito da necessidade de fugir para o exterior “na segunda”. Quarenta e oito horas após essa consulta ao ministro, ele efetivamente tentou escapar do país. Isso é inadmissível.
Vale lembrar que, desde o início do ano anterior, o escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, mantinha um contrato milionário, no valor de R$ 130 milhões, com o Banco Master, negociado diretamente com Daniel Vorcaro.
A má notícia para Alexandre de Moraes é que não é mais possível ele afirmar que não tinha relação com o acordo.
Os jornalistas Fausto Macedo, Felipe de Paula e Aguirre Talento também revelaram hoje que o ministro foi responsável pela edição da última versão do contrato (na verdade, de R$ 131 milhões):
“A versão do contrato devolvida por Vorcaro a Viviane, de acordo com os metadados do arquivo, foi aberta e modificada no sistema Office 365 utilizado pelo ministro do STF. O perfil que alterou o documento, segundo os metadados do contrato, é intitulado ‘Ministro Alexandre de Moraes’.”
A justificativa (insatisfatória) do escritório de Viviane Barci de Moraes é que “o setor de compliance pediu ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação pelo Banco Master da banca da Viviane Moraes”. Francamente, é desconsiderar quem trabalha.
Diante de todos esses acontecimentos, torna-se inescapável que o ministro André Mendonça apresente ao plenário do STF o pedido de autorização para investigar Alexandre Moraes no contexto do caso Master. Se o STF recusar a autorização, isso indicará que já não existem juízes em Brasília e, portanto, Justiça no Brasil. Assim, é o fim da República.
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