O policial militar Leandro Machado da Silva e os comparsas Cezar Daniel Mondêgo de Souza e Eduardo Sobreira de Moraes foram condenados a 30 anos de prisão, cada um, pelo assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo. O crime ocorreu em fevereiro de 2024, no centro do Rio de Janeiro.
A vítima foi morta com mais de dez tiros em frente ao escritório do qual era um dos sócios, localizado a poucos metros da sede da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ).
O julgamento durou dois dias e terminou na noite de sexta-feira (6). O Tribunal do Júri acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Crime ligado à atuação profissional
Durante o julgamento, os jurados reconheceram as qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima.
De acordo com o Ministério Público, Rodrigo Crespo “teria contrariado interesses de organização criminosa ligada a jogos de apostas on-line”.
“As investigações apontaram que o crime foi precedido de monitoramento da rotina do advogado”, informou o MPRJ em nota.
Segundo a acusação, o assassinato teria sido cometido de forma premeditada e com emboscada.
Relação com apostas ilegais
O Ministério Público sustentou que o crime teve como objetivo garantir a execução e a vantagem de outros delitos relacionados à exploração ilegal de jogos de azar.
As investigações indicam que os três condenados mantinham ligação com o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, investigado por atividades relacionadas ao jogo do bicho.
Adilsinho foi preso em 26 de fevereiro deste ano durante operação da Polícia Federal com apoio da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Possível disputa no mercado ilegal
Segundo o MPRJ, outra hipótese levantada é que o assassinato também tenha sido uma forma de intimidar possíveis concorrentes no mercado clandestino de apostas.
A investigação apontou que Rodrigo Crespo avaliava investir no setor de jogos com a abertura de um sporting bar no bairro de Botafogo.
O estabelecimento poderia oferecer apostas esportivas e equipamentos semelhantes a máquinas caça-níqueis conectadas à internet.
De acordo com o Ministério Público, essa atividade “poderia afetar interesses da organização criminosa que atua na região”.
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