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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Aumento de 11 vezes em casos de violência política de gênero em quatro anos

Política

Aumento de 11 vezes em casos de violência política de gênero em quatro anos

TSE inicia campanha para enfrentar a violência política contra mulheres

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A violência política contra mulheres pode se manifestar de diversas maneiras, incluindo intimidações, ataques à honra, ameaças e até assassinatos. Casos emblemáticos, como o da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 devido à sua atuação política, e os incidentes com a deputada Maria do Rosário, que sofreu ataques dentro do Congresso Nacional em 2014, mostram a gravidade que esse tipo de violência pode atingir.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número de processos relacionados à violência política de gênero cresceu mais de 11 vezes em um período de quatro anos. Em 2022, foram enviados 15 processos à Justiça Eleitoral; já em 2026, até setembro, o número saltou para 177 processos.

Desde 2018, o Ministério Público Federal (MPF) registrou 436 denúncias de violência política de gênero. Dessas, em mais da metade dos casos (221), a violência teve um componente moral. Em 40% delas (177), a violência foi psicológica.

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Conscientização

Com o intuito de enfrentar essa questão, o TSE e o MPF lançaram na terça-feira (22) a campanha Política é Substantivo Feminino. O propósito é informar e conscientizar a sociedade sobre a relevância de combater as diversas formas de violência política direcionadas às mulheres.

A ministra do TSE, Estela Aranha, comentou sobre o impacto desse tipo de violência na democracia brasileira.

“Ela [a violência política de gênero] silencia individualmente, porque essa mulher pensa: vou sair da política. Mas também afeta a coletividade, já que outras mulheres que testemunham a violência se perguntam: por que vou entrar na política? Você acaba afastando tanto as que já estão quanto aquelas que consideram entrar. E isso é extremamente sério, pois a democracia depende da participação política e eleitoral de todos os cidadãos e cidadãs, e as mulheres são excluídas do debate”, reflete.

Gênero e raça

No evento de lançamento da campanha, entidades que defendem os direitos das mulheres e do movimento negro entregaram uma carta ao presidente do TSE, ministro Nunes Marques, expressando sua preocupação com o crescimento da violência política de gênero e raça nas eleições deste ano, além de exigirem ações efetivas para prevenir novos casos.

O documento ressalta que, nas semanas recentes, os movimentos sociais receberam relatos de candidatas, principalmente negras e LBTs, em vários estados, que enfrentaram ameaças de morte e violência sexual, tiveram seus endereços e informações de familiares expostos, e sofreram ataques racistas, LGBTIfóbicos, perseguições, intimidações e agressões físicas.

A carta também aponta que a violência de gênero não afeta todas as mulheres de maneira igual. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Marielle Franco analisou 77 casos entre 2021 e 2025, revelando que 87% das vítimas eram mulheres negras.

Mulheres em cargos eletivos

O Brasil se destaca como um dos países com a mais baixa participação feminina no Parlamento Federal. Em um ranking com 184 países, o Brasil está na 135ª posição, com apenas 17,5% de mulheres no Congresso, ficando atrás de países com sistemas pouco democráticos, como a Coreia do Norte e Burkina Faso.

A nível local, existem mais de 700 municípios no Brasil onde não há nenhuma mulher ocupando cargo eletivo. Ademais, apenas 16% das prefeituras são lideradas por mulheres.

A coordenadora do grupo de trabalho de prevenção e combate à violência política de gênero da Procuradoria-Geral Eleitoral, Raquel Branquinho, afirma que a legislação brasileira está em conformidade com diretrizes internacionais sobre a representatividade feminina.

“O grande desafio a ser enfrentado, no entanto, é a violência contra essas mulheres”, conclui.

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