A vitória sem brilho da seleção brasileira, que terminou em 4 a 0, caracterizou o amistoso contra a Índia neste sábado (3). O resultado era esperado, visto que o adversário é extremamente frágil, ocupando a 139ª colocação no ranking da Fifa, e nunca participou de uma Copa do Mundo. Os jogadores que tiveram raras oportunidades não conseguiram se animar com a partida.
O jogo se desenrolou de forma lenta e burocrática, sem um real senso de urgência. Estêvão se destacou em meio à falta de concentração da equipe brasileira. Ele foi responsável por criar duas jogadas de gol na primeira metade do jogo. Na primeira, recebeu a bola de Matheuzinho, se desfez da marcação, puxou para o pé esquerdo e chutou para o canto, onde o goleiro Gurpreet Singh Sandhu não conseguiu defender.
O goleiro indiano cometeu outro erro quando Pedro recebeu a bola do ponta-direita e chutou direto para o meio do gol. O atacante do Flamengo também teve boas participações, incluindo uma linda assistência de calcanhar para Samuel Lino, que ampliou a vantagem no segundo tempo. O atacante rubro-negro ainda foi responsável pelo último gol. No entanto, a impressão geral deixada pela partida foi negativa.
Esse amistoso será lembrado por não ter alcançado nem mesmo o objetivo principal da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Seleção brasileira visava atender à antiga demanda da Índia
A seleção brasileira possui uma longa história de admiração por parte da população indiana. Durante as Copas do Mundo, comunidades se reúnem para apoiar o Brasil, que nunca havia realizado um amistoso em solo indiano até agora. Para essa primeira vez, a Federação Indiana fez esforços para afastar a população do evento.
Conforme relatos da transmissão da "TV Globo", o ingresso para o amistoso no Estádio Salt Lake custava cerca de 200 dólares (R$ 2,6 mil), um valor exorbitante para um país cuja renda mensal média é de 270 dólares, segundo o site "Trading Economics". Por essa razão, muitas cadeiras permaneceram vazias, e o clima festivo que se esperava para a partida não se concretizou.
A justificativa para um preço de ingresso tão elevado pode estar nos 500 milhões de rúpias (R$ 27 milhões) investidos pelo futebol indiano para trazer o Brasil ao país, conforme reportado pelo site local "Livemint". Assim, o custo acabou recaindo sobre o povo indiano, que se viu obrigado a pagar preços altos ou ficar sem a oportunidade de assistir à seleção que tanto admira.
O público reduzido no estádio levanta questionamentos sobre a decisão da CBF. Embora o amistoso na Índia seja compreensível e aguardado há muito tempo, deveria ser acessível. Com esses preços, seria mais prudente que o Brasil jogasse em casa, procurando se reconectar com a torcida em um momento em que os europeus estão indisponíveis para partidas devido à Liga das Nações.
Até o presente momento, os estados brasileiros de Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins nunca receberam a seleção nacional. Enquanto isso, Santa Catarina, Piauí, Paraíba e Espírito Santo tiveram um jogo pela última vez nos anos 90, e Sergipe apenas em 1969. Em vez de realizar duas partidas na Austrália e uma na Índia com ingressos inacessíveis, a CBF poderia ter se concentrado em atender a população de alguns desses estados.
Ademais, o presidente da CBF, Samir Xaud, prometeu se aproximar do povo brasileiro após a Copa. No entanto, até o momento, isso se mantém apenas como um discurso.
— Após esta Copa, vamos trazer a seleção para jogar mais no Brasil do que fora, pois o povo brasileiro merece, e queremos restabelecer essa conexão com os torcedores. É um compromisso meu — disse o dirigente em maio deste ano.
Samir Xaud, presidente da CBF desde 2025 (Foto: IMAGO / ZUMA Press Wire)
Análise do amistoso entre Brasil e Índia
A primeira metade do jogo evidenciou a fragilidade da seleção indiana, que mal conseguiu chegar ao ataque. O início da partida teve Vinicius Júnior muito ativo, mas errando a maioria das jogadas. Ao chegar na direita, Matheuzinho passou para Pedro, que perdeu uma oportunidade clara aos 22 minutos.
Somente perto da meia hora de jogo Estêvão tomou a iniciativa e abriu o placar. Do mesmo lado, Gabriel Bontempo recebeu a bola e cruzou para Pedro, que acertou a trave. Esse foi o momento em que o Brasil mais acelerou o ritmo, mas logo em seguida, Vini Jr. teve um chute fraco em frente ao gol.
No segundo tempo, a seleção indiana surpreendeu os brasileiros em Calcutá, avançando mais ao ataque e quase conseguindo marcar um gol. A Índia finalizou seis vezes, seis a menos que o Brasil. O único chute certo da equipe brasileira, além dos gols de Lino, foi de Vanderson, que aconteceu já nos acréscimos, culminando em uma atuação muito abaixo do esperado.
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