O ex-militar da Marinha, Rian Maurício Tavares Mota, apontado como o “engenheiro militar” do Comando Vermelho (CV), é suspeito de ter levado ao crime organizado a tecnologia que se tornou estratégica nos confrontos nas favelas do Rio de Janeiro: drones adaptados para lançar granadas. Ele está entre os presos que devem ser transferidos para presídios federais de segurança máxima, após a megaoperação realizada nos Complexos do Alemão e da Penha.
Antes de ser ligado ao crime organizado, Mota vestiu a farda da Marinha do Brasil e concluiu cursos de alta exigência das Forças Armadas, incluindo o curso de mergulhador da Força de Superfície. Segundo a Polícia Federal, ele usou sua expertise para transformar equipamentos de espionagem em armas de ataque aéreo e orientava detalhadamente integrantes da cúpula do CV, incluindo Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, ainda foragido.
Interceptações telefônicas revelaram instruções precisas de Mota sobre o uso dos drones: “É só botar o dispensador. O drone segura o pino e libera a granada quando chega no alvo”. A PF afirma que esse tipo de equipamento já impediu que líderes do CV fossem capturados em ações anteriores.
Durante a megaoperação de 28 de outubro, policiais relataram ataques com artefatos explosivos lançados de drones, tática comparável a conflitos internacionais, como os da Ucrânia e do Oriente Médio. O governador Cláudio Castro afirmou que o crime organizado atua com capacidade bélica inédita no Rio de Janeiro, descrevendo o cenário como um “campo de guerra”.
Mota também teria estruturado o setor de drones do CV, projetado métodos de ataque aéreo contra forças policiais e treinado operadores dentro das comunidades. A megaoperação resultou em 121 mortes, e o governo do Rio solicitou a transferência de Mota e outros nove presos de alta periculosidade para o sistema prisional federal, isolando-os do restante da facção.
O caso evidencia a crescente sofisticação das facções criminosas no país, que agora empregam tecnologia militar e táticas de guerra em confrontos contra o Estado, representando um desafio sem precedentes para as forças de segurança.
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