Na manhã desta segunda-feira (10), em Belém (PA), o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, comemorou o “consenso” alcançado entre os países participantes sobre a agenda oficial do encontro climático global, marcando um início organizado à 30ª edição da conferência da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima).
Durante a abertura dos trabalhos, Corrêa do Lago afirmou que a rápida aprovação da ordem do dia — algo que em edições anteriores chegou a sofrer atrasos ou impasses — representa “uma virada de página” para que as negociações avancem com foco na execução de compromissos climáticos.
Segundo ele, o ambiente internacional mostra “sinais positivos” de cooperação:
“O consenso sobre a agenda do primeiro dia confirma que o mundo está pronto para agir, não apenas para debater”, disse.
Por que esse “acordo” é relevante
O estabelecimento de uma ordem de trabalhos funcional logo no primeiro dia evita atrasos e um dos principais obstáculos das conferências climáticas: a perda de tempo em negociações procedimentais. Com a agenda em mãos e maior previsibilidade, abre-se caminho para debates sobre:
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A implementação das Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) revisadas.
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O financiamento climático para adaptação e mitigação em países em desenvolvimento.
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A transição energética — em especial, o encerramento da era dos combustíveis fósseis — e o papel da Amazônia como foco global.
Pressões que persistem
Apesar desse início organizado, analistas advertem que o “acordo” é apenas o primeiro passo e que o relógio climático continua correndo. Conforme relatado pela agência Reuters, embora a agenda tenha sido aprovada, alguns temas estruturantes — como o fundo de “perdas e danos” (loss e damage) e a retirada de combustíveis fósseis — ainda enfrentam divergências entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.
O próprio presidente da COP30 reconheceu que a ausência de delegações de grande peso — como a dos Estados Unidos — cria “espaços” para que os países em desenvolvimento avancem em destaque, mas também evidencia a fragmentação da cooperação internacional.
O que vem a seguir
Nas próximas sessões da conferência, a presidência brasileira aposta em transformar o início promissor em resultados concretos. A estratégia passa por uma “Agenda de Ação” (Action Agenda) que articula seis eixos temáticos — entre eles a transição energética, proteção de florestas e biodiversidade, sistemas alimentares e infraestrutura resiliente. Wikipedia+1
O embaixador Corrêa do Lago destacou que a COP30 deve ir além da assinatura de acordos e migrar para a implementação:
“Não basta termos boas intenções. Temos que traduzir em políticas, em finanças, em resultados concretos nas florestas, nas economias, nas vidas.”
Conclusão
O anúncio de avanço na agenda da COP30 pode ser visto como um sinal de otimismo, especialmente em um contexto global marcado por disputas geopolíticas e ceticismo frente à crise climática. No entanto, o verdadeiro teste será a capacidade dos países participantes de converter esse “fantástico acordo” inicial em compromissos tangíveis que atendam à urgência científica e às demandas dos mais vulneráveis.
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