Um terremoto político atingiu o estado de Goiás e sua capital, Goiânia, nesta quarta-feira (11), com potenciais impactos nacionais. Uma decisão liminar da Justiça Eleitoral goiana condenou o governador Ronaldo Caiado (União Brasil) por abuso de poder político durante as eleições municipais deste ano.
Além disso, o prefeito eleito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), apoiado por Caiado no pleito, teve o registro cassado pela Justiça Eleitoral.
A decisão liminar também estipula que Caiado e Mabel fiquem inelegíveis por 8 anos. A vice-prefeita eleita de Goiânia, Cláudia Lira (Avante), também foi condenada. Todos ainda podem recorrer.
Ronaldo Caiado vem se apresentando como pré-candidato à Presidência da República pelo União Brasil em 2026. Governador de Goiás em seu segundo mandato, eleito em 2018 e reeleito em 2022, ele não poderá disputar uma nova reeleição no estado no próximo pleito.
Caso sua inelegibilidade seja confirmada, Caiado terá que adiar o sonho presidencial. A decisão liminar foi assinada pela juíza Maria Umbelina Zorzetti.
O pedido de inelegibilidade de Caiado e Mabel foi apresentado pelo Ministério Público Eleitoral, que encontrou indícios de abuso de poder político por parte do governador. Ele teria utilizado a estrutura do Palácio das Esmeraldas, sede do governo estadual, para apoiar a candidatura de Mabel.
A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi protocolada pela chapa adversária de Mabel no segundo turno das eleições, liderada pelo deputado estadual Fred Rodrigues (PL), apoiado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o MP Eleitoral, Caiado e Mabel convidaram suplentes de vereadores e líderes políticos para jantares na sede do governo nos dias 7 e 9 de outubro, durante a campanha eleitoral.
"Independentemente da efetiva quantidade de eleitores atingidos, não se pode ignorar que os eventos tiveram ampla divulgação na mídia e redes sociais, comprometendo a legitimidade do pleito, caracterizando abuso do poder político", diz o parecer do MP.
A decisão da juíza também destaca que o governador usou bens públicos, como materiais de governo, alimentos, bebidas e serviços de funcionários públicos, para promover a candidatura de Mabel.
"As imagens dos vídeos que instruem a inicial demonstram que o ambiente estava preparado para a oferta de alimentos e bebidas aos convidados, com até decoração", afirmou o órgão.
A defesa de Caiado e Mabel nega irregularidades e promete recorrer da decisão.
Ronaldo Caiado já declarou que pretende disputar a Presidência da República em 2026, caso Jair Bolsonaro continue inelegível. O ex-presidente está proibido de concorrer até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em 1989, Caiado foi candidato à Presidência, mas não obteve êxito. Além de governador de Goiás, Caiado foi deputado federal e senador.
Sandro Mabel, que obteve 353.518 votos (55,53%) no segundo turno das eleições municipais deste ano, também promete recorrer da decisão.
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