O Ministério da Saúde iniciou, nesta terça-feira, 3, um serviço de teleatendimento especializado para pessoas que sofrem de dependência em jogos de apostas eletrônicas, as chamadas “bets”. O anúncio, feito pelo ministro Alexandre Padilha, detalha uma parceria com o Hospital Sírio-Libanês para oferecer suporte psicológico gratuito e confidencial a adultos em todo o país. A iniciativa surge como resposta ao crescimento do transtorno do jogo compulsivo, que além de comprometer a saúde mental, tem gerado graves impactos financeiros e desestruturação em milhares de famílias brasileiras.
Para acessar o suporte, o cidadão deve utilizar o aplicativo Meu SUS Digital, onde passará por um autoteste científico. Caso o sistema identifique um risco moderado ou alto, o encaminhamento para as sessões de vídeo com psicólogos e terapeutas ocupacionais é automático. O ciclo de cuidado prevê até 13 consultas por paciente, podendo envolver familiares e rede de apoio. O governo também disponibilizou o canal 136 da Ouvidoria do SUS para orientações e mantém a plataforma de autoexclusão de CPFs em sites de apostas, que já conta com 300 mil usuários cadastrados.
O impacto econômico das apostas no Brasil é alarmante, com perdas estimadas em R$ 38,8 bilhões anuais. Padilha destacou que o teleatendimento ajuda a romper a barreira do preconceito, já que muitos dependentes deixam de procurar ajuda presencial por vergonha. Para garantir a qualidade do serviço, 20 mil vagas de capacitação foram abertas para profissionais de saúde em parceria com a Fiocruz. A meta ousada do ministério é ampliar a capacidade atual de 600 atendimentos mensais para até 100 mil sessões virtuais, integrando o atendimento digital à rede física dos CAPS e Unidades Básicas de Saúde.
Além do atendimento direto, a estratégia federal inclui o bloqueio de propagandas direcionadas para quem se cadastrar no sistema de autoexclusão. “O esforço é identificar riscos graves e encaminhar o paciente rapidamente para o tratamento adequado”, afirmou o ministro. Com a nova linha de cuidado, o SUS busca mitigar os efeitos de um fenômeno recente de comportamento problemático online, tratando a compulsão por bets como uma prioridade de saúde pública e segurança financeira da população.
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