O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira (10) a imposição de tarifas de 25% sobre todas as importações de aço e alumínio para o país. A decisão afeta diretamente o Brasil, que é um dos principais fornecedores desses produtos para os EUA.
Segundo o Financial Times, membros da equipe de Trump informaram que as tarifas seriam aplicadas a todas as importações, sem exceções para produtos específicos. As tarifas entrarão em vigor a partir de 12 de março, conforme documentos divulgados pela Casa Branca na noite de segunda-feira.
Autoridades americanas afirmaram que as tarifas são uma resposta a “players estrangeiros” que estariam “aumentando as exportações” desses metais para os Estados Unidos, prejudicando os produtores locais de aço e alumínio.
Trump autorizou as novas tarifas com base na Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio, que confere ao presidente a autoridade para impor restrições comerciais por motivos de segurança nacional. Esse é o mesmo poder que foi utilizado por Trump em 2018 para aplicar tarifas sobre aço e alumínio durante seu primeiro mandato.
A medida segue uma tendência mais ampla de endurecimento da política comercial norte-americana. Na semana passada, Trump já havia imposto uma tarifa de 10% sobre as importações da China e ameaçado o Canadá e o México com tarifas semelhantes.
O governo brasileiro ainda está avaliando as possíveis respostas à decisão. Na manhã de hoje, surgiram especulações de que o país poderia taxar empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Google, Amazon e Meta, como retaliação. No entanto, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, negou essa possibilidade.
“Não é correta a informação de que o governo Lula pretende taxar empresas de tecnologia se o governo dos Estados Unidos impor tarifas ao Brasil”, escreveu Haddad no X (antigo Twitter). O ministro destacou que o governo só se manifestará com base em decisões concretas e não em anúncios que possam ser mal interpretados ou revistos.
Os EUA são o destino de 48% das exportações de aço do Brasil e 16% das de alumínio, totalizando US$ 5,7 bilhões em vendas para o mercado americano em 2024.
Antes da oficialização das tarifas, a Gerdau (GGBR4) registrava alta devido à sua forte presença nos EUA. Segundo o Bradesco BBI, a companhia pode se beneficiar da decisão, pois sua produção no mercado norte-americano reduz a exposição ao impacto das tarifas. Já a CSN (CSNA3), Usiminas (USIM5) e CBA (CBAV3) enfrentavam volatilidade.
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