Apoio profissional, medicamentos e acompanhamento são oferecidos a pacientes que optaram por deixar o cigarro
Na vida de Mizael Gomes, por quase 40 anos, o cigarro fez parte da rotina. Morador da região após a ponte do Rio Madeira e autônomo, começou a fumar na infância, aos 12 anos, no Ceará. O consumo foi crescendo ao longo da vida até chegar a uma quantidade impressionante: cerca de 80 cigarros, ou quatro carteiras, diariamente.
Aos 52 anos, sua realidade é diferente. Após buscar ajuda e iniciar o tratamento para o tabagismo, Mizael conseguiu deixar o cigarro. Ele comemora essa conquista também em casa. “Eu chegava a fumar quatro carteiras de cigarros por dia. Comecei o tratamento e já fui diminuindo. De quatro, passei para uma carteira e meia e, na terceira semana, consegui parar. Recebi os medicamentos, segui o tratamento e minha esposa ficou muito feliz. Depois de tantos anos fumando, conseguir parar foi uma vitória.”
A jornada de Mizael demonstra que, mesmo após anos de dependência, é possível mudar. E ele não está sozinho nessa trajetória.
No bairro Escola de Polícia, a dona de casa Alzerina Piedade decidiu também encarar o vício. Ela fumava, em média, 20 cigarros por dia. Já havia passado seis meses sem fumar, mas acabou retornando ao hábito. A nova tentativa iniciou quase por acaso, ao acompanhar sua mãe em uma consulta médica. “Minha mãe veio consultar a doutora Carla e ela conversou comigo sobre parar de fumar. Eu disse: ‘Eu quero parar’. Já faz quase três semanas que comecei o tratamento e, na segunda semana, fui diminuindo. Agora estou há cinco dias sem fumar. O remédio ajuda a controlar um pouco a ansiedade, mas é preciso também tomar a decisão de parar.”
O tabagismo é uma doença crônica gerada pela dependência da nicotina. Está ligado a vários tipos de câncer, especialmente o de pulmão, e aumenta o risco de infarto, AVC, hipertensão, bronquite crônica, enfisema e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A fumaça do cigarro também representa risco para as pessoas que convivem com fumantes.
Para quem deseja deixar de fumar, o primeiro passo pode ser dado nas unidades de saúde do município, que estão preparadas para receber aqueles que buscam tratamento contra o tabagismo. O usuário pode se dirigir à unidade e informar seu desejo de parar de fumar. A equipe realiza uma avaliação clínica, considerando fatores como o grau de dependência da nicotina e o histórico de saúde.
O tratamento é oferecido sem custos pelo SUS e pode incluir acompanhamento individual ou em grupo, além de orientações para lidar com a abstinência, apoio de profissionais de saúde e medicamentos, quando necessário. Entre os recursos disponíveis estão adesivos de nicotina, em diferentes dosagens, e goma de nicotina.
O acompanhamento dura, em média, três meses. No início, são realizadas sessões presenciais, com encontros frequentes, podendo chegar a quatro sessões no primeiro mês. Nos grupos, os participantes têm a oportunidade de compartilhar dificuldades, conquistas, gatilhos, ansiedade e sintomas relacionados à abstinência.
É nesse ambiente que muitos percebem que enfrentam problemas semelhantes e encontram motivação para seguir em frente. Alguns conseguem deixar o cigarro rapidamente; outros começam reduzindo o consumo. O tratamento é adaptado às necessidades de cada paciente, levando em conta a carga tabágica e as diretrizes do Ministério da Saúde.
Francisco Bacelar, autônomo e morador do bairro Nossa Senhora das Graças, encontrou o caminho para abandonar um consumo de cerca de 40 cigarros por dia ao buscar informações durante exames de rotina. “Eu vim fazer exames de rotina, passei pela médica e depois perguntei na regulação sobre o tratamento do tabagismo. Fui atrás porque realmente queria parar de fumar. Entrei no grupo, a doutora me deu os medicamentos e, com três semanas de tratamento, consegui parar. Minha respiração melhorou e meu paladar também. O tratamento ajuda bastante, mas a força de vontade é fundamental.”
A médica Carla Ponzetto destaca que o trabalho em grupo é uma das ferramentas utilizadas durante o tratamento. Os interessados são cadastrados, as equipes formam os grupos e entram em contato para informar as datas dos encontros. O número de participantes é limitado para garantir um acompanhamento eficaz. “A pessoa precisa querer parar. No grupo, um acaba incentivando o outro. Quando alguém vê um colega que estava na mesma situação conseguindo parar, pensa: ‘Se ele conseguiu, eu também consigo’. Eles compartilham as mesmas dificuldades, criam vínculos e isso é muito importante. O tratamento segue as orientações do Ministério da Saúde e, quando necessário, utilizamos medicamentos, adesivos em diferentes dosagens e goma de nicotina para ajudar nos momentos de vontade de fumar.”
A secretária municipal de Saúde, Sandra Cardoso, enfatiza que buscar ajuda profissional aumenta o suporte disponível para quem decidiu parar de fumar. “Quem deseja abandonar o cigarro não precisa enfrentar esse processo sozinho. Nossas equipes estão preparadas para acolher, orientar e acompanhar cada paciente, respeitando suas necessidades e oferecendo o tratamento apropriado durante todo esse processo.”
Os benefícios de deixar o cigarro começam a surgir gradualmente. A pressão arterial e a pulsação voltam a níveis mais adequados, enquanto a circulação e a respiração melhoram com o tempo. A longo prazo, também há uma diminuição dos riscos associados ao tabagismo.
O prefeito Léo Moraes ressalta que facilitar o acesso ao tratamento é uma maneira de promover a prevenção. “Cada pessoa que decide parar de fumar está tomando uma decisão importante pela própria saúde e pela saúde de quem está ao seu redor. Nosso papel é garantir que ela encontre acolhimento e acompanhamento na rede municipal para seguir esse caminho.”
No próximo 29 de agosto, Dia Nacional de Combate ao Fumo, histórias como as de Mizael, Alzerina e Francisco reforçam uma mensagem importante: não importa há quanto tempo a pessoa fuma ou quantas tentativas já fez. É possível tentar novamente.
Aqueles que desejam deixar de fumar podem se dirigir à unidade de saúde mais próxima e informar que querem participar do tratamento para o tabagismo. A equipe realizará a avaliação e fornecerá as orientações necessárias.
Para Mizael, após cerca de 40 anos convivendo com o cigarro e chegando a fumar 80 unidades por dia, a mudança começou com uma decisão. O mesmo se aplica a Alzerina e Francisco.
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