O mais recente relatório da Meta, abrangendo o período de 1º de agosto a 31 de outubro, revela um cenário de transformação nas práticas de moderação das plataformas digitais durante o período eleitoral brasileiro. Apesar de não cobrir integralmente a corrida eleitoral — que ocorreu de 16 de agosto a 27 de outubro —, o documento oferece um panorama das ações tomadas para coibir abusos, como o uso de “máquinas de spam eleitoral” que inundaram o WhatsApp em 2018 com propagandas políticas e fake news.
Essas operações, amplamente utilizadas nas eleições que elegeram Jair Bolsonaro, mudaram de foco nos últimos anos. Embora as máquinas de spam para fins eleitorais tenham diminuído, o cibercrime encontrou novas oportunidades, agora centradas no estelionato online.
A pressão política, sobretudo após o impacto das eleições anteriores, levou a Meta a adotar medidas mais rigorosas. A empresa intensificou processos judiciais contra essas operações e implementou sistemas automatizados para identificar e remover contas que disseminam spam, chegando à marca de 36 contas eliminadas por minuto.
Coincidência ou estratégia?
A divulgação do relatório coincide com o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilização das plataformas digitais pelo conteúdo de terceiros. Essa proximidade temporal levanta questionamentos:
Coincidência: A Meta já havia divulgado um relatório prévio, detalhando os preparativos para as eleições, 56 dias antes do primeiro turno. O documento atual, portanto, seria apenas uma continuidade das análises de sua atuação.
Estratégia: A postura de ministros do STF, como Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli, demonstra preocupação com o controle sobre conteúdos nocivos. Esse cenário pressiona as plataformas, associadas à incapacidade de moderar publicações extremistas e evitar radicalizações.
O debate sobre regulamentação das Big Techs não se limita à organização das plataformas, mas também reflete tensões políticas. Por um lado, busca-se estabelecer regras claras para combater discursos extremistas; por outro, há temores de que a regulamentação possa ser vista como censura, especialmente por usuários comuns que têm postagens removidas por razões pouco claras.
Casos de moderação controversa
Enquanto extremistas escapam de controles, relatos de moderação arbitrária são frequentes. Um exemplo citado no UOL destaca a frustração de um ortopedista que teve um post educativo removido por alegada nudez — mesmo sendo uma imagem de um tornozelo ferido, parte de sua especialidade médica.
Esse tipo de situação alimenta desconfianças entre usuários. Para muitos, regulamentar as plataformas não parece uma solução para melhorar a experiência online, mas um risco de censura. A chave, portanto, está em equilibrar ações que tornem as redes sociais mais seguras sem alienar os usuários, mostrando que a transparência e o benefício coletivo são prioridades.
Com as discussões sobre a regulamentação das Big Techs ganhando força, a Meta se posiciona no centro de um debate que envolve desde o combate ao cibercrime até a preservação da liberdade de expressão. O próximo passo será convencer tanto as autoridades quanto o público de que é possível garantir um ambiente digital mais saudável sem abrir mão de direitos fundamentais.
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