O futuro de Cristiano Ronaldo na seleção de Portugal apresenta incertezas após sua saída da delegação durante a atual Data Fifa. O atacante, incomodado por estar no banco de reservas, se desentendeu com Jorge Jesus, e novas informações sobre o caso devem surgir em breve, conforme o atleta mencionou em um post nas redes sociais.
Em suas palavras: “A seu tempo, direi a verdade a todos os portugueses sobre as razões que motivaram a minha saída da equipa nacional.” No final, essa atitude de CR7 pode ser vista como uma pequena nota de rodapé em uma história magnífica por Portugal.
Isso não diminui os três títulos que conquistou (Eurocopa de 2016 e Liga das Nações em 2019 e 2025), os únicos na história da seleção, nem os 146 gols que o colocam como o maior artilheiro não apenas de seu país, mas de todo o futebol de seleções. Para alguns, essa saída repentina pode ser vista como um episódio “normal”.
O “Robozão” sempre recebeu o rótulo de egocêntrico, muitas vezes com razão. Aqueles que testemunharam a vitória sobre a Noruega, na qual ele não deixou o banco de reservas e a controvérsia surgiu, devem ter reforçado essa impressão ao vê-lo correr para o vestiário em vez de cumprimentar a torcida portuguesa.
No entanto, Cristiano, além de ser um grande admirador de si mesmo e geralmente entregar um bom desempenho em campo, era uma presença absoluta no vestiário, atuando como porta-voz das questões da seleção e capitão da equipe.
A 'fuga' de Cristiano Ronaldo contradiz sua construção como líder
A Euro 2016, o auge da história da seleção portuguesa, ilustra perfeitamente o que é ser um líder como Cristiano Ronaldo. Ele sempre foi o motivador, o cara que consegue extrair o máximo dos companheiros, mesmo quando estão exaustos, em prol do objetivo em conjunto.
Durante as cobranças de pênaltis nas quartas de final contra a Polônia, Ronaldo insistiu para que João Moutinho batesse, mesmo ele não estando na lista. “Vem, vem bater! Tu bate, vai! Se perder, que se dane! Tenha personalidade! Vamos, vai”, foi o que Cristiano disse, e João Moutinho realmente bateu e converteu, garantindo a classificação para a semifinal.
Na final contra a França, outro momento marcante ocorreu. O capitão se lesionou logo nos primeiros minutos após uma dividida com Dimitri Payet e teve que ser substituído, passando os 90 minutos e a prorrogação no banco de reservas.
No tempo normal, ele se manteve sentado e observando o jogo, mas no tempo extra, não conseguiu mais ficar parado. Levantou-se e ajudou o time da área técnica, dando instruções e motivando, muitas vezes à frente do treinador Fernando Santos.
Esse é o papel de um líder, que, mesmo incapacitado fisicamente, se esforçou para ajudar seu time. Na comemoração do título, conquistado com o gol de Eder, ele declarou no vestiário que essa conquista coletiva era muito mais importante do que qualquer prêmio individual. “Esse é o momento mais feliz da minha vida, juro pelo meu filho”, disse ao grupo, agradecendo a todos os membros da seleção.
Passados dez anos, o comportamento de liderança de Cristiano não se reflete mais. O que parece ser prioridade para o atacante agora não é o bem do coletivo, como em 2016. Para ele, estar em campo é essencial, mesmo aos 41 anos, apesar de não conseguir ter o mesmo desempenho físico e técnico e de que isso possa afetar a equipe.
O episódio recente é apenas uma entre várias atitudes que não inspiram confiança em Portugal. Em duas ocasiões em 2021, frustrado com resultados ou com a arbitragem, ele arremessou sua braçadeira de capitão ao chão — em uma delas, chegou até a chutar. Em 2022, também teve um desentendimento com o técnico Fernando Santos em outro momento de descontentamento.
O papel que CR7 poderia desempenhar na seleção portuguesa atualmente
Cristiano Ronaldo como reserva em jogo de Portugal (Foto: IMAGO / SOPA Images)
Aos 41 anos, Cristiano deveria aceitar uma função técnica inferior. Diante da pressão e intensidade do futebol atual, o atacante não consegue mais acompanhar o ritmo e pode prejudicar o coletivo. Portanto, se não for capaz de ajudar em campo, que contribua fora dele.
Ele poderia ser a voz dentro do vestiário, conectando o treinador aos jogadores e incentivando-os. Ser a figura que defende o grupo em entrevistas coletivas em épocas de crise. Poderia atuar como um mentor para os jovens jogadores que chegam, oferecendo dicas e aliviando a pressão sobre eles. No entanto, por ora, não parece que ele esteja preparado para assumir esse papel. Nem se despediu do elenco ao deixar a seleção nesta Data Fifa.
É claro que ainda precisamos esclarecer o episódio com Jesus. O jornalista espanhol Edu Aguirre, amigo próximo do jogador, mencionou que o técnico pediu desculpas a Ronaldo e afirmou que faria o mesmo na coletiva, mas isso não ocorreu. A partir daí, CR7 interpretou como uma traição e tomou essa atitude drástica.
Entretanto, essa é apenas uma versão do círculo de Ronaldo, que também não se manifestou sobre o verdadeiro motivo. Resta a Jorge Jesus oferecer sua versão nas próximas entrevistas, que devem acontecer em breve. A seleção portuguesa enfrentará a Dinamarca nesta quinta-feira (1) e, em seguida, a Noruega no domingo (4).
Segundo a mídia portuguesa, é possível que Cristiano não volte a vestir a camisa da seleção. Um desfecho conturbado e desnecessário para um dos maiores jogadores da história do futebol.
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