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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Eleições 2026: 6 sugestões para auxiliar na escolha dos candidatos

Política

Eleições 2026: 6 sugestões para auxiliar na escolha dos candidatos

A Agência Brasil consultou especialistas que sugeriram maneiras para os eleitores escolherem seus candidatos de forma mais criteriosa. Conhecer os financiadores das campanhas, as propostas dos candidatos e como elas afetam a vida prática de cada eleitor são estratégias para um voto consciente.

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Faltando menos de duas semanas para o primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda estão indecisos sobre em quem votar. Neste ano, a escolha dos candidatos, que deveria ser pautada pelas propostas, foi dificultada pelas notícias sobre o caso Master e a crise do Supremo Tribunal Federal (STF), que eclipsaram o debate das ideias.

Especialistas ouvidos pela Agência Brasil apresentaram diretrizes que podem ajudar os eleitores a identificarem os candidatos que estão mais alinhados às suas prioridades, evitando armadilhas como os “puxadores de voto” e propostas vagas.

Uma forma de garantir um voto responsável é entender quem financia as campanhas, quais promessas cada candidato faz e como elas podem influenciar a vida cotidiana de cada eleitor.

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1) Eu, o eleitor

Antes de analisar as propostas ou o currículo dos candidatos, é essencial fazer uma introspecção sobre si mesmo e a comunidade em que está inserido. Algumas perguntas podem orientar essa reflexão:

  • Qual é o meu grupo social e econômico?
  • Quais ideologias e visões de mundo me representam?
  • Quais temas eu gostaria que o Poder Público priorizasse?
 
 João Feres Júnior Doutor em Ciência Política da IESP UERJ. Foto: João Feres Júnior/Arquivo Pessoal - João Feres Júnior/Arquivo Pessoal

Na política, os interesses nem sempre são convergentes. Por exemplo, um empresário, um trabalhador assalariado e um autônomo podem ter percepções diferentes sobre uma proposta como o fim da escala 6x1.

As urgências entre homens e mulheres podem ser distintas, sendo que elas representam mais da metade (53%) do eleitorado. Apesar disso, na legislatura atual, ocuparam apenas 15 das 81 cadeiras no Senado e 91 dos 513 lugares na Câmara dos Deputados.

É inviável agradar a todos o tempo todo em um governo. Cada decisão política traz impactos distributivos e quem governa em prol do bem comum deve lidar com conflitos e interesses divergentes. Portanto, “é fundamental que o eleitor compreenda quais são seus interesses políticos e econômicos”, afirma João Feres Júnior, professor de Ciência Política da UERJ.

Ele ressalta que muitos eleitores não têm clareza sobre seus próprios interesses e se os candidatos realmente os representarão após a eleição.

“Existem prioridades em relação às representações. Há partidos e candidatos que se concentram na assistência aos mais pobres, enquanto outros favorecem os mais ricos. Muitos eleitores, no entanto, não sabem, em essência, quais são suas prioridades. Idealmente, eles deveriam se informar da melhor maneira possível, mas, na prática, nem sempre têm acesso a informações de qualidade, especialmente sobre boas práticas políticas, já que a mídia tende a cobrir escândalos”, observa.

2) O que faz um político?

 

É importante entender as atribuições de cada cargo e o que cada candidato, se eleito, poderá realizar de acordo com a legislação. Esse passo é básico, mas crucial, para evitar desilusões e diminuir as chances de cair em promessas enganosas — como um candidato a deputado que promete construir um hospital ou pavimentar ruas, o que é competência do Poder Executivo, ou seja, do presidente, governadores e prefeitos.

“Muitas pessoas têm informação limitada sobre as competências dos legisladores”, observa a socióloga Débora Messemberg, professora da UnB.

“Um senador ou deputado federal têm muito poder para direcionar verbas públicas, seja através da aprovação do Orçamento [da União], seja por emendas [parlamentares]. No entanto, não executam [as políticas públicas]. Essa compreensão é importante, pois os candidatos [ao Poder Legislativo] que prometem obras estão claramente demonstrando um comportamento negativo”, reflete Débora.

As competências são as seguintes:

Ao Presidente da República: exercer o Poder Executivo e administrar a administração federal; nomear e exonerar ministros; comandar as Forças Armadas; enviar anualmente ao Congresso o projeto de lei de diretrizes orçamentárias; sancionar, promulgar ou vetar leis do Congresso; expedir decretos presidenciais; manter relações com Estados estrangeiros; entre outras funções.

Aos Governadores: nomear e exonerar secretários estaduais; sancionar, promulgar ou vetar leis da Assembleia Legislativa; decretar e executar intervindo nos municípios; administrar a segurança pública, incluindo as polícias e a educação estadual, hospitais regionais, e infraestrutura rodoviária, entre outras responsabilidades.

Aos Deputados: atuam no Congresso ou na Assembleia Legislativa do seu estado, aprovando e modificando leis, fiscalizando o Poder Executivo e participando da elaboração do orçamento público, definindo a alocação dos recursos.

Aos Senadores: representam a unidade federativa no Congresso Nacional; discutem, votam e aprovam leis federais; sabatinam ministros do STF e julgam autoridades, entre outras atividades.

3) Ações valem mais que palavras

  • Analise o currículo, histórico e propostas do candidato. 
  • Quem financia sua campanha ou o apoia? 
  • Quais partidos fazem parte de sua coligação e de onde vêm seus principais apoios (grandes corporações, instituições financeiras, sindicatos, movimentos sociais)? 
  • As propostas apresentadas abordam a raiz dos problemas ou se limitam a discursos vagos? 
 
Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Francisco Uribam Xavier de Holanda, professor da Univ. Fed. do Ceará (UFC) Foto: Francisco Uribam/Arquivo pessoal - Francisco Uribam/Arquivo pessoal

De acordo com Francisco Uribam Xavier de Holanda, professor de Ciência Política da UFC, analisar o conteúdo das campanhas não é uma tarefa simples, pois requer tempo que muitos eleitores não possuem. Contudo, essa análise é extremamente importante.

“Para a maioria das pessoas, é desafiador encontrar tempo para essa análise. Além disso, torna-se complexo para o cidadão entender questões como financiamento de campanha, uso do fundo partidário e financiamentos privados, que frequentemente são disfarçados”, alerta Uribam.

Ele também destaca que a maioria dos candidatos formula suas propostas e discursos com base em pesquisas eleitorais, raramente revelando quais interesses e grupos realmente defendem.

Se o candidato ocupa um cargo político, verificar seu histórico e como ele votou ou se comportou em projetos importantes pode auxiliar o eleitor a identificar incoerências, discursos vazios ou promessas não cumpridas.

“De certa forma, a campanha política é desenhada para moldar a vontade do eleitor, que deve considerar quem, ao assumir o poder, implementa ações que realmente lhe beneficiam. Se sou pai de uma criança pequena e não posso arcar com uma escola particular, quem são os políticos que incluem em seus programas a defesa das escolas públicas e que, se já tiveram a chance, tornaram essas escolas acessíveis em meu bairro ou cidade?”, destaca Uribam.

As propostas de governo, assim como a declaração de bens e a prestação de contas, com a lista de doadores de campanha, estão disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

4) Alinhamento partidário

 
Naiara Sandi de Almeida Alcântara, professora da UFPA. Foto: Naiara Sandi/Arquivo pessoal

No sistema político brasileiro, a atuação isolada não é comum. Mesmo que alguns partidos não tenham uma linha ideológica definida, espera-se que seus filiados demonstrem um alinhamento mínimo e disciplina partidária.

“Cada partido possui seu programa e sua posição política, formando uma bancada”, ressalta Naiara Sandi de Almeida Alcântara, professora da UFPA.

Esse alinhamento é mais evidente no Poder Legislativo, onde muitas votações seguem a orientação de bancada, a recomendação do líder partidário para que os parlamentares votem de uma determinada forma.

Um candidato pode apresentar um discurso e, ao ser eleito, seguir as diretrizes do partido, mesmo que isso contrarie os interesses que prometeu defender.

“Por isso, é crucial que o eleitor não apenas conheça as propostas e trajetórias dos candidatos, mas também as posições que o partido costuma adotar, seu programa e as alianças que forma”, acrescenta a cientista política.

Para avaliar partidos de maneira crítica, o eleitor deve observar:

  • Como a legenda tem votado;
  • As pautas que o partido historicamente defende;
  • Consistência ideológica;
  • As alianças com outros partidos em diferentes eleições.

5) Puxadores de voto

Em 2010, Francisco Everaldo Oliveira Silva, conhecido como palhaço Tiririca, conquistou mais de 1,35 milhão de votos, tornando-se o deputado federal mais votado do Brasil naquele ano. Em sua estreia, ele ajudou a eleger outros três candidatos à Câmara dos Deputados, seus colegas de partido.

Ainda que não fosse uma novidade, o fenômeno passou a ser denominado Efeito Tiririca. Isso ocorre porque, no sistema proporcional (utilizado no Brasil para eleger deputados e vereadores), os candidatos são eleitos com base no quociente eleitoral, um cálculo mais complicado do que o nome sugere.

O cálculo se dá da seguinte forma:

O total de votos válidos em um estado ou no Distrito Federal é dividido pelo número de assentos disponíveis. (Por exemplo, em um estado com direito a dez cadeiras e 2 milhões de votos válidos, o quociente eleitoral será de 200 mil votos).

Após isso, somam-se os votos que todos os candidatos de um partido ou federação receberam e divide-se pelo quociente eleitoral. (Seguindo o exemplo, um partido ou federação com 800 mil votos terá conquistado quatro assentos, ocupados pelos candidatos mais votados que cumpriram a cláusula de barreira individual — ao menos 10% do quociente eleitoral).

 
Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Rodrigo Stumpf/Arquivo pessoal

Os chamados “puxadores de voto” levam consigo outros candidatos. “Por isso, frequentemente, os partidos procuram celebridades, artistas ou atletas com grande visibilidade para atrair um grande número de votos, fortalecendo a legenda e ajudando na eleição de outros candidatos menos conhecidos”, explica o cientista político Rodrigo Stumpf González, da UFRGS.

Nos últimos anos, alterações nas leis eleitorais impuseram barreiras à eleição de candidatos com poucos votos, como a exigência de uma votação mínima. Mesmo assim, é fundamental que os eleitores estejam atentos para evitar arrependimentos.

“O eleitor deve estar ciente da nominata [lista oficial] do partido e, se necessário, evitar votar em uma legenda apenas por causa de uma única pessoa”, acrescenta González.

“Lembre-se de que o número do candidato não representa apenas ele, mas também seu partido, permitindo que o eleitor conheça outros candidatos da mesma legenda que poderão ser eleitos com os votos dados a uma celebridade.”

6 – No dia da votação

O primeiro turno das eleições deste ano ocorrerá em 4 de outubro. Em todo o Brasil, aproximadamente 158,7 milhões de eleitores aptos a votar participarão da escolha dos próximos deputados federais, estaduais ou distritais; senadores; governadores e do presidente da República.

No dia da votação, o eleitor pode levar um papel com os nomes e números dos candidatos que prefere, podendo consultá-lo na cabine de votação para não esquecer. Contudo, ao contrário da “colinha”, o celular deve ficar fora da cabine. Também é proibido votar portando equipamentos como câmeras ou filmadoras que permitam registrar o voto. Caso necessário, o eleitor deve deixá-los com os mesários. Essa proibição, em vigor desde 2009, foi implementada para proteger o sigilo e o direito ao voto.

“Permitir o registro visual do voto poderia expor eleitores ao aliciamento por candidatos que não seguem as regras eleitorais. Esses candidatos teriam um meio de obter votos de forma ilícita, podendo comprovar, por meio de imagens, que determinado eleitor votou nele”, alegou o tribunal.

Os cidadãos podem usar broches, adesivos e camisetas, manifestando apoio individual e silencioso, incluindo bandeiras políticas. No entanto, manifestações coletivas ou barulhentas são proibidas, assim como a abordagem e aliciamento a outros eleitores.

Todo cidadão tem o direito de se afastar do trabalho pelo tempo necessário para votar, sem perda de salário. Eleitores com mais de 80 anos têm prioridade sobre os demais, independentemente da ordem de chegada. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha ao votar.

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