Após o portal “The Athletic” informar que o Manchester City foi considerado culpado em 114 das 115 acusações de desrespeito ao fair play financeiro da Premier League, várias figuras que já passaram pelo Etihad Stadium começaram a se pronunciar. Rodri, jogador que atualmente atua pelo Barcelona, deu sua declaração enquanto defendia a seleção espanhola, e agora foi a vez de Roberto Mancini, técnico da Itália, comentar sobre o escândalo que afeta os Citizens.
Dirigente do Manchester City entre 2009 e 2013, Mancini é visto como uma figura chave na investigação, dado que existiu um suposto contrato paralelo em que atuava como “consultor especial” para o Al Jazira, um clube dos Emirados Árabes Unidos pertencente ao Sheikh Mansour, responsável pelos Citizens na época. Durante uma coletiva de imprensa no último domingo (27), o treinador reafirmou que não houve irregularidades.
— Não creio que o Manchester City deva ser visto como culpado, na verdade. Não é uma questão que me diz respeito, mas também não é uma surpresa. O Manchester City não é culpado e o contrato duplo não é problema meu, é deles — afirmou Roberto Mancini.
Em 2018, a revista alemã “Der Spiegel” divulgou documentos vazados do Manchester City, que resultaram em uma investigação de quatro anos sobre possíveis violações das normas financeiras da liga. Em 2023, a Premier League levou o caso a um comitê independente, que considerou os Citizens culpados pela maioria das acusações.
Importante mencionar que o Manchester City defende sua inocência e planeja recorrer da decisão. Portanto, até o momento, os Citizens não sofreram punições, que poderão incluir multas, perda de pontos, revogação de títulos conquistados no período e/ou exclusão de competições no país.
Por que Mancini é central na controvérsia relacionada ao Manchester City?
De acordo com as alegações, o Manchester City teria celebrado dois contratos paralelos com o técnico italiano: um oficial, que proporcionava um salário base de 1,69 milhão de euros líquidos por ano, à taxa de câmbio atual (aproximadamente R$ 10 milhões); e outro com uma subsidiária do Al Jazira, equivalente a 2,03 milhões de euros à taxa de câmbio atual (cerca de R$ 12 milhões). Esses valores foram revelados pelo jornal “Gazzetta dello Sport”.
Esse contrato de Mancini com o clube dos Emirados envolvia um trabalho de quatro dias ao ano como consultor. Contudo, as faturas eram emitidas trimestralmente por uma empresa ligada ao treinador e enviadas aos Citizens, que transferiam os valores ao “Abu Dhabi United Group”. O dinheiro então era repassado ao Al Jazira, que efetuava o pagamento ao italiano.
Na prática, essa estratégia tinha como objetivo contornar as regras do Fair Play Financeiro da Uefa e as normas da Premier League, o que resultou na acusação de que o Manchester City não revelou o valor exato pago a Roberto Mancini.
O técnico italiano assumiu o comando dos Citizens em dezembro de 2009, substituindo Mark Hughes, que havia sido demitido. Na temporada em que chegou, o time terminou na 5ª posição, fora da zona de classificação para a Champions League. Em 2010/11, Mancini conduziu o Manchester City ao 3º lugar na Premier League, garantindo uma vaga na principal competição europeia, e conquistou também a Copa da Inglaterra, a primeira vitória expressiva em 35 anos.
Mancini exibe título da Premier League conquistado com o Manchester City em 2011/12 (Foto: Imago/Newscom World)
Na temporada seguinte, o treinador levou os Citizens ao título, encerrando um jejum de 44 anos na elite inglesa com um gol de Sergio Agüero no último lance da última partida. Contudo, em 2012/13, Mancini foi dispensado após terminar como vice-campeão da Premier League, atrás do Manchester United, e perder a final da FA Cup para o surpreendente Wigan Athletic.
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