A exigência dos treinadores no Real Madrid é difícil de ser encontrada em qualquer outro clube. Vencer é frequentemente apenas o ponto de partida: para deixar um legado no Santiago Bernabéu, é necessário conquistar títulos, suportar a pressão e, em algumas ocasiões, reescrever a história do clube.
Com o passar das décadas, nomes como Zinedine Zidane, Vicente del Bosque e Carlo Ancelotti estiveram à frente de algumas das equipes mais emblemáticas do futebol europeu. No entanto, ao comparar títulos, longevidade e legado, um técnico que fez parte da era de Alfredo Di Stéfano e Ferenc Puskás se destaca à frente dos demais.
5. José Villalonga (1954–1957)
José Villalonga desempenhou um papel fundamental na formação da identidade europeia que o Real Madrid manteria nas décadas seguintes. Com apenas 36 anos, conduziu o clube à primeira conquista da Copa dos Campeões da Europa, em 1956, sendo até hoje o técnico mais jovem a vencer a competição.
No ano seguinte, durante a temporada 1956/57, ocorreu o auge de sua passagem: o Real conquistou LaLiga, a Copa dos Campeões e a Copa Latina. Assim, Villalonga não apenas esteve presente no início da hegemonia europeia, mas também expandiu esse domínio logo em seguida.
Em três anos, ele obteve duas ligas espanholas, duas Copas dos Campeões e duas Copas Latinas. Sua trajetória também é um exemplo de técnicos que assumiram o Real Madrid durante a temporada e transformaram essa oportunidade em um ciclo histórico.
Posteriormente, Villalonga demonstrou seu valor no Atlético de Madrid e na seleção espanhola, que conquistou a Eurocopa de 1964. Apesar de sua passagem breve pelo Bernabéu, ele ajudou a estabelecer uma ideia que continua a definir o Real: dominar a Espanha não era mais suficiente. Era preciso dominar a Europa.
Zidane foi tricampeão europeu como técnico. (Foto: IMAGO / Revierfoto)
4. Zinedine Zidane (2016–2018 e 2019–2021)
Antes mesmo de assumir o comando do time principal, Zinedine Zidane já era uma lenda do Real Madrid. Como treinador, ele conseguiu aumentar ainda mais esse status. Ele foi promovido após a saída de Rafa Benítez, em janeiro de 2016, e conquistou a Champions League poucos meses depois, repetindo esse feito em mais duas ocasiões.
Zidane se tornou o primeiro técnico a conquistar três Champions League consecutivas no formato moderno da competição. Adicionalmente, venceu LaLiga em duas oportunidades durante suas duas passagens pelo clube.
O primeiro ciclo encerrou-se poucos dias após o tricampeonato europeu, em 2018. Ao retornar em 2019, encontrou um cenário diferente, mas ainda assim conquistou o Campeonato Espanhol, registrando dez vitórias consecutivas após a pausa devido à pandemia de Covid-19.
Foram três Champions League e duas ligas em menos de cinco temporadas completas no cargo, apresentando um aproveitamento de títulos extraordinário, apesar da menor duração em relação aos três primeiros nomes deste ranking.
Del Bosque no centenário do Real Madrid. É o 3º maior técnico do clube. (Foto: IMAGO / Contrast)
3. Vicente del Bosque (1999–2003)
Vicente del Bosque conheceu o Real Madrid de maneira profunda, chegando ao clube ainda na adolescência, onde disputou mais de 400 partidas como jogador e passou pelo Castilla antes de assumir o time principal em 1999.
Seu grande mérito foi gerir um elenco repleto de estrelas sem perder a competitividade. O Real no início da era dos “Galácticos” contava com jogadores como Raúl, Iker Casillas, Ronaldo e Zidane, e ainda precisava de um equilíbrio para converter talento em títulos.
Del Bosque conquistou duas Champions League e dois títulos de LaLiga. Também obteve a Supercopa da Espanha, a Supercopa da UEFA e a Copa Intercontinental. Em suas quatro temporadas completas, o Real levantou ao menos um grande troféu a cada ano e alcançou as semifinais da Champions em todas.
Contudo, Del Bosque deixou o clube em 2003, poucos dias após faturar LaLiga. Anos depois, ele ainda comandaria a seleção da Espanha na conquista da Copa do Mundo de 2010 e da Eurocopa de 2012.
Ancelotti em treino do Real Madrid – o técnico mais vitorioso do clube. (Foto: Markus Fischer/IMAGO / Passion2Press)
2. Carlo Ancelotti (2013–2015 e 2021–2025)
Carlo Ancelotti é o treinador que mais troféus conquistou pelo Real Madrid. O italiano teve duas passagens pelo clube e foi responsável por encerrar uma das maiores obsessões da história recente merengue. Em 2014, em sua primeira temporada, guiou a equipe à Décima, a décima Copa dos Campeões/Champions do Real, ao vencer o Atlético de Madrid na final.
Após deixar o clube em 2015, atuou no Bayern de Munique, Napoli e Everton, antes de retornar ao Bernabéu em 2021. Sua segunda passagem ampliou ainda mais seu legado. Ancelotti voltou a conquistar LaLiga e adicionou mais duas Champions à sua coleção, tornando-se também o treinador mais vitorioso da história da competição europeia.
No mês de dezembro de 2024, ao levantar a Copa Intercontinental, ele chegou a 15 troféus pelo Real Madrid, assumindo o posto de técnico mais vitorioso da história do clube.
Mas por que ele não ocupa a primeira posição? Porque há um treinador que permaneceu no cargo por 14 anos, conquistou nove vezes o Campeonato Espanhol e ajudou a moldar a própria dimensão histórica do Real Madrid.
Miguel Muñoz, em 1967, o maior técnico da história do Real Madrid. (Foto: IMAGO / piemags)
1. Miguel Muñoz (1960–1974)
Miguel Muñoz não possui o maior número de troféus em comparação a Ancelotti, mas nenhum treinador teve uma passagem pelo Real Madrid que se aproxime da sua em termos de longevidade. Em 14 anos, ele dirigiu a equipe em 605 partidas oficiais, conquistando 357 vitórias.
Muñoz assumiu um time que já dominava a Europa e conseguiu estender essa hegemonia. Em 1960, ele conduziu Di Stéfano, Puskás e Paco Gento à conquista da quinta Copa dos Campeões consecutiva do clube.
Um detalhe histórico é que ele já havia participado de três das quatro conquistas anteriores como jogador, tornando-se o primeiro a vencer a principal competição europeia tanto dentro de campo quanto como treinador.
Em 1966, ele voltou a erguer a Copa dos Campeões. No que diz respeito ao campeonato espanhol, seu domínio foi ainda mais notável: nove títulos de LaLiga, além de três Copas do Rei. Deixou também uma marca tática, com um sistema ofensivo que permitiu maior liberdade às estrelas do elenco.
Embora Muñoz tenha conquistado menos títulos que Ancelotti, sua importância vai além da contagem. Ele atravessou gerações, esteve à frente do clube por 14 anos e ajudou a consolidar o Real Madrid como uma potência dominante na Espanha e na Europa.
É por isso que, mesmo que Ancelotti seja o líder em número de títulos, Miguel Muñoz ainda ocupa o primeiro lugar quando a comparação é feita em termos de longevidade, influência e impacto histórico.
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