A proposta para padronizar os horários das rodadas do Brasileirão a partir de 2027 foi aprovada pelos clubes e apresentada pela CBF. O intuito é aproveitar um maior número de jogos realizados mais cedo, mantendo a faixa das 21h30 restrita a apenas duas partidas nas quartas-feiras.
Após a Copa do Mundo, a CBF já implementou uma mudança significativa ao eliminar os jogos agendados para as 20h30 aos domingos. No contrato atual, essa faixa era utilizada predominantemente pela Record, o que associou a emissora à realização de partidas que terminavam muito tarde, impactando negativamente aqueles que trabalham cedo na segunda-feira.
No entanto, desde a pandemia, já havia jogos marcados nesse horário, mesmo quando a Globo detinha o controle total da tabela, exceto para os jogos do Athletico Paranaense como mandante. Recentemente, em uma live no meu canal, apresentei um vídeo de “onde assistir” que produzimos em 2021, exibindo um Atlético-GO x Cuiabá que era exclusivo do Premiere.
O futebol, atualmente, tem se espalhado de forma a gerar pouca previsibilidade para os torcedores, que enfrentam dificuldades em saber em qual plataforma assistir às partidas, além de navegar em uma programação que inclui jogos em horários variados no sábado à noite, domingo de manhã e à tarde, e diversas janelas durante a semana.
Com a proposta da CBF, não haverá mais jogos da Série A aos sábados na faixa das 21h. Essa data será reservada para partidas às 16h e 19h30. Os domingos preverão jogos às 11h, 16h, 18h (ou 18h30) e 19h30.
Nas rodadas de meio de semana, serão dois jogos na terça às 20h e dois na quinta às 20h, garantindo que as partidas terminem até às 22h nesses dias. Na quarta-feira, serão realizados seis jogos, distribuídos em duas partidas por faixa: 19h30, 20h30 e 21h30. Somente as partidas da TV Globo ocorrerão em horários muito tardios ao longo do campeonato. Atualmente, há jogos sem transmissão aberta nas terças e quintas-feiras, agendados para as 21h30.
Portanto, a proposta é positiva. Há também a preocupação em assegurar mais faixas exclusivas para a Série B, como acontecia no passado. Em 2008, por exemplo, os sábados às 16h20 eram dedicados à segunda divisão, com vários jogos ocorrendo nesse período. A Série A seguia com partidas às 18h30, enquanto a Série B retornava com jogos às 20h40. No domingo, a primeira divisão tinha somente as faixas das 16h e das 18h (ou 18h10, 18h20, 18h30).
A crise de conteúdo vivenciada pela TV esportiva, que se baseia em debates intermináveis, fez com que toda a estratégia dos canais dependesse de transmissões ao vivo diariamente, em todos os horários, fazendo com que o futebol de elite ocupasse o espaço do futebol em competições menores, além de tomar o espaço que antes pertencia a outros esportes.
Entretanto, a padronização não é uma tarefa simples. A própria TV Globo tinha interesse em fixar suas transmissões aos domingos às 16h, mas essa não é uma possibilidade viável durante todo o ano. Nos últimos anos, ocorreram ocasiões em que a emissora precisou alterar a transmissão para 17h30 devido a regulamentos.
O regulamento da CBF exige um intervalo mínimo de 66 horas entre os jogos do mesmo time, visando à saúde dos atletas e garantindo um tempo adequado para a recuperação. Quando uma equipe joga às 21h30 na quinta-feira, o jogo se encerra às 23h30. Com 66 horas de intervalo, a próxima partida não pode ocorrer antes de domingo às 17h30.
Quando a Globo seleciona um time que atuou na Libertadores ou Sul-Americana às quintas às 21h30, esse time não poderá jogar às 16h no domingo. Em situações assim, um serviço de streaming pode ocupar essa faixa. O torcedor, ao consultar a tabela, pode imaginar que aquele jogo das 16h será transmitido pela TV aberta, mas descobre em cima da hora que precisará assinar um serviço como o Amazon Prime.
Último Flamengo e Corinthians pelo Brasileirão foi às 17h30 por causa do calendário (Foto: SUSA / Icon Sport)
Além disso, existe a possibilidade de os jogos serem agendados em um país com fuso horário desfavorável, onde em Brasília a partida inicia às 23h na quinta-feira, terminando à 1h da sexta, obrigando que o próximo compromisso seja somente às 19h do domingo.
Outro aspecto a ser considerado: segundo a proposta aprovada pelos clubes, haverá dois jogos fixos às 16h aos sábados e um às 19h30. Contudo, se houver muitos brasileiros atuando na Libertadores e Sul-Americana na terça seguinte, eles deverão atuar no sábado anterior.
Por exemplo: se Flamengo, São Paulo, Cruzeiro e Grêmio forem escolhidos por ESPN e Paramount ou Sportv (dependendo de quem fechar a Libertadores) nas competições continentais na terça-feira, e se eles não se enfrentarem na rodada anterior do Brasileirão, será necessário que a CBF agende quatro jogos no sábado, e não apenas três.
Ainda que exista a previsão de um horário alternativo na sexta às 20h, a proximidade das semanas entre a Copa do Brasil e os torneios da Conmebol torna quase impossível que um time em mata-mata jogue na sexta-feira pelo Brasileirão.
Com tantas emissoras diferentes transmitindo os campeonatos, a lógica do “farinha pouca, meu pirão primeiro” prevalece nas decisões de horários. Imagine que a Record deseje ocupar a faixa das 19h30 aos domingos e escolha um Corinthians x Flamengo no Brasileirão. Se a Globo tiver um pacote da Libertadores para o sportv, ela pode optar por agendar um jogo do Flamengo na terça, impossibilitando que o rubro-negro jogue no domingo anterior e forçando uma partida em um dia de menor audiência na TV aberta, que é o sábado.
Esse é apenas um exemplo. Na prática, a complexidade das tabelas torna a padronização um desafio devido a inúmeras variáveis. A CBF precisará ser criativa nessa questão, e as emissoras terão que cooperar, uma vez que são elas que arcam com os custos. Esta coluna espera por um desfecho positivo que ofereça ao torcedor uma tabela mais organizada. Do jeito que está atualmente, a situação é insustentável.
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