Com uma vitória contundente sobre o Racing Santander, vencendo por 7 a 2 nesta quarta-feira (16), o Barcelona manteve seu desempenho perfeito na temporada, alcançando 100% de aproveitamento. No Camp Nou, a equipe comandada por Hansi Flick consolidou uma percepção crescente: poucos times na Europa conseguem ter um repertório tão diversificado e facilidade em transformar diversas situações em oportunidades de gol.
Além disso, o resultado permitiu que o Barça estabelecesse um novo recorde pessoal. Agora, com sete triunfos em sete jogos, contando LaLiga e Champions League, o clube catalão registra seu melhor início de todos os tempos. Anteriormente, os times de 1929/30, 1960/61 e 2018/19 compartilhavam esse recorde, todos com seis vitórias consecutivas.
Embora o número seja significativo, pode não ser o que melhor resume a razão pela qual este Barcelona impressiona tanto. O que realmente se destaca é a forma como essas vitórias estão sendo construídas.
Sim, o Barcelona é o melhor time da Europa no momento
Mais do que os recordes, o charme do Barcelona reside em seu repertório. Diante do Racing, ficou evidente que a equipe está preparada para diferentes formatos de jogo. Quando o adversário aumenta a marcação, os jogadores de Hansi Flick conseguem encontrar maneiras de evitar a pressão, muitas vezes transformando a tentativa de sufoco do rival em uma armadilha. O Barça atrai, supera a primeira linha e acelera ao encontrar espaço para atacar.
Quando a equipe adversária opta por um bloco médio, a situação muda, mas o desafio permanece. A equipe catalã é capaz de descobrir espaços entre as linhas, desmontar estruturas defensivas com aproximações e tabelas curtas, criando superioridade perto da área.
Se o oponente se retrai ainda mais, novas soluções surgem: dribles, combinações rápidas, movimentações constantes e jogadores que conseguem receber entre os defensores e criar algo diferenciado. Não existe um único caminho para alcançar o gol.
Esse talvez seja o maior trunfo da equipe de Flick. O time não depende exclusivamente de jogadas ensaiadas, de um jogador em grande forma ou de um tipo específico de adversário. Pode acelerar pelo meio, atacar pelas laterais, explorar as costas da defesa ou simplesmente concluir de fora da área. Os dois gols de João Cancelo contra o Racing, em finalizações de longa distância, são exemplos claros disso.
Ainda há a rapidez com que a equipe converte a recuperação de bola em ataque. O Barcelona é capaz de pressionar, recuperar e chegar ao último terço em questão de segundos. Se encontra a defesa adversária desorganizada, não necessita de muitos passes para causar danos. As transições são uma arma vital de uma equipe que gera chances com uma frequência impressionante.
No centro deste momento está Raphinha. Atuando como falso 9, o brasileiro ganhou liberdade para se afastar da referência, participar da construção, aparecer nas laterais e, principalmente, atacar a área quando necessário. Essa nova função potencializa características que já faziam parte de seu jogo e adiciona outras responsabilidades. Ele flutua, cria, acelera, encontra as costas da defesa e aparece para finalizar.
Neste início de temporada, ele é o jogador que mais representa a força ofensiva do Barcelona: são 11 gols e três assistências em sete partidas, números que ajudam a ilustrar um começo simplesmente avassalador. Somente contra o Racing, foram três gols.
Raphinha e João Cancelo após gol do Barcelona (Foto: Sergio Ruiz / Pressinphoto / IMAGO)
O que o Barcelona precisa ajustar?
É aqui que reside a contradição que torna o Barcelona de Hansi Flick tão intrigante. Embora seja o time mais divertido e melhor da Europa neste momento, também se mostra um dos mais imprevisíveis. O mesmo modelo que permite sufocar adversários durante longos períodos também abre espaços que podem ser aproveitados quando a pressão falha.
A alta posição das linhas é parte da identidade da equipe. O Barça busca defender longe do próprio gol, encurtar o campo e recuperar a bola rapidamente. O problema é que, quando a primeira pressão é superada, há muito espaço para o adversário atacar pelas costas da defesa.
Não é necessário que o rival domine a partida para tirar proveito disso. Algumas chegadas bem executadas podem ser suficientes para colocar os catalães em apuros. O primeiro gol do Racing foi resultado exatamente desse tipo de situação.
Assim, a atenção deve estar em não abandonar a identidade que tornou o Barcelona este time tão imponente. É preciso controlar melhor os momentos em que a partida escapa do seu controle. A equipe pode dominar a maior parte do jogo, criar muitas oportunidades e ainda assim permitir ao adversário uma janela perigosa por poucos minutos. Contra equipes de maior qualidade, esse intervalo pode ser fatal.
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