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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Os meio-campistas convocados atendem ao que Ancelotti espera para a nova fase da Seleção?

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Os meio-campistas convocados atendem ao que Ancelotti espera para a nova fase da Seleção?

Após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo, Carlo Ancelotti anunciou a convocação da seleção brasileira para os próximos jogos. O Brasil se encontrará com a Austrália (duas vezes) e a Índia nos dias 25 e 29 de setembro e 3 de outubro. A grande mudança é no meio-campo, um dos pontos mais discutidos durante o …

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Os meio-campistas convocados têm o perfil que Ancelotti espera em novo ciclo da Seleção?

Após a eliminação nas oitavas de final da Copa do Mundo, Carlo Ancelotti convocou a seleção brasileira para os primeiros jogos da equipe. Nos dias 25 e 29 de setembro e 3 de outubro, o Brasil irá enfrentar Austrália (duas vezes) e Índia. A principal alteração é no meio-campo.

Durante o primeiro ano do treinador à frente da Seleção, o meio-campo se destacou como um dos setores mais debatidos e, segundo o próprio Ancelotti, é o elo mais frágil do time. Ele vê a defesa e o ataque como setores seguros e com talento para os próximos anos, mas não compartilha da mesma visão em relação ao meio.

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Para essa Data Fifa, Ancelotti convocou Bruno Guimarães e Danilo, que estiveram na Copa, além de Andrey Santos, que era esperado no Mundial. Breno Bidon, Gabriel Bontempo e Matheus Martinelli são as novidades. O que se pode esperar dessa reformulação?

Qual a mensagem que Ancelotti passa com seus novos meio-campistas na Seleção?

A ausência de Casemiro, que decidiu não continuar na Seleção, levanta a questão sobre o tipo de meio-campista que o Brasil deseja. Durante anos, ele atuou como proteção à defesa e trouxe experiência a um time que nem sempre dominava a partida com a bola. Neste novo ciclo, Ancelotti precisa descobrir se há um jogador no elenco capaz de desempenhar essa função ou se a Seleção terá que mudar a forma de estruturar seu jogo.

Andrey Santos pode ser uma das respostas, pois apresenta características de um volante posicional. O próprio Ancelotti o incluiu nesse grupo ao justificar sua convocação. Contudo, a função não deve ser analisada apenas pela semelhança nominal com Casemiro. Neste início de temporada no Manchester United, ele teve poucos minutos, acentuando outra preocupação do treinador: monitorar jogadores que ele acredita terem futuro na Seleção, mesmo que não joguem com regularidade.

Martinelli, convocado posteriormente para substituir João Pedro, apresenta uma alternativa diferente. O volante do Fluminense já vinha sendo observado pela comissão técnica e é mais identificado com a função de primeiro homem, possuindo capacidade de saída de bola, marcação e construção desde a defesa. A questão, portanto, não é apenas "quem será o novo Casemiro?", mas se o Brasil pode encontrar uma forma distinta de proteger sua defesa.

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira masculina, durante o anúncio da convocação para os amistosos contra Austrália e Índia, na sede da CBF, no Rio de Janeiro, em 9 de setembro de 2026.Ancelotti em coletiva da seleção brasileira. (Foto: Charles Sholl/IMAGO / Brazil Photo Press)

A saída de jogadores importantes do ciclo anterior também gera uma lacuna em relação à associação, chegada e ocupação dos espaços próximos aos atacantes. É nesse aspecto que surgem os nomes de Breno Bidon e Gabriel Bontempo.

Ambos não devem ser considerados simplesmente como “o novo Paquetá”. Ancelotti praticamente descarta essa classificação ao alocá-los no grupo dos meio-campistas box-to-box. Contudo, existe uma questão subjacente na comparação: o Brasil precisa identificar jogadores que possam atuar entre as linhas, se aproximar dos atacantes, aparecer no último terço e, ao mesmo tempo, participar da pressão e recomposição.

O meia do Santos começou mais avançado, mas posteriormente passou a exercer também a função de volante, tornando-se um jogador versátil capaz de ocupar diferentes áreas do campo. Em 2026, ganhou destaque no Santos por sua habilidade em conectar setores e oferecer liberdade a jogadores mais ofensivos. Sua versatilidade ajuda a explicar por que ele pode ser interessante para um treinador que ainda não definiu se precisará de dois ou três jogadores no meio.

Bidon apresenta uma alternativa similar, embora em um contexto e formação diferentes. A convocação indica que Ancelotti não busca apenas um substituto imediato, mas deseja descobrir quais jogadores podem se desenvolver ao longo do ciclo. Ele declarou que a Seleção precisa acompanhar a evolução de atletas que considera essenciais para o futuro e, quando for necessário, proporcionar oportunidades para que eles progridam no cenário internacional.

Assim, o Brasil deve buscar um meio-campista que possa resolver o problema que Paquetá ajudava a solucionar: conectar um meio-campo mais recuado com os atacantes sem exigir que os pontas deixem constantemente suas posições. Nesse sentido, Bidon e Bontempo podem ser testes para uma pergunta maior: o Brasil consegue criar superioridade no meio sem precisar contar com um camisa 10 clássico?

Dois ou três no meio? A resposta pode mudar completamente a Seleção

A declaração mais reveladora de Ancelotti foi sobre a possibilidade de usar dois ou três meio-campistas. O treinador lembrou que, durante a Copa, o Brasil passou a atuar com três homens no setor e que as lesões afetaram a estrutura. Agora, segundo ele, as características dos convocados possibilitam trabalhar com os dois formatos.

Breno Bidon em jogo do CorinthiansBreno Bidon em jogo do Corinthians. Foto: IMAGO / Sports Press Photo

No esquema 4-3-3, por exemplo, Ancelotti poderia usar um volante posicional, como Andrey Santos ou Martinelli, atrás de dois jogadores mais móveis. Bruno Guimarães poderia atuar como um dos interiores, com liberdade para recuar na saída, enquanto Danilo, Bontempo ou Bidon ocupassem posições mais avançadas. Isso proporcionaria maior controle do meio-campo sem abrir mão da capacidade de atacar com vários jogadores.

No 4-2-3-1, a lógica seria diferente. Dois jogadores sustentariam a equipe por trás, enquanto um meia poderia aparecer entre as linhas. Bruno, mais criativo, poderia ser um dos homens do duplo pivô, enquanto outro jogador ficaria mais recuado. À frente deles, um jogador mais ágil poderia atuar como elo entre o meio e um trio ofensivo.

Há ainda uma terceira possibilidade: o 4-2-4, que Ancelotti usou com sucesso em alguns momentos. Se ele perceber que tem atacantes capazes de criar superioridade individual, pode optar por uma estrutura em que dois meio-campistas são responsáveis pela sustentação da equipe enquanto quatro jogadores se posicionam nas últimas linhas.

O desafio é que essa formação exige uma dupla de meio-campistas extremamente completa. Eles precisam ser capazes de construir, pressionar, cobrir os lados, proteger os zagueiros e avançar sem deixar grandes lacunas na defesa. Bruno Guimarães já demonstrou habilidade para realizar várias dessas funções. A questão que resta é descobrir quem pode complementá-lo.

E se o Brasil não dominar a bola?

Outra declaração de Ancelotti altera ainda mais a perspectiva. O treinador mencionou que o modelo de jogo depende das características dos jogadores disponíveis e utilizou a Espanha como exemplo: uma seleção que consegue propor um futebol de controle posicional graças a uma geração excepcional de meio-campistas. Na visão dele, o Brasil não possui atualmente a mesma abundância nesse setor.

 

Isso sugere que a Seleção não será necessariamente construída para ter 65% de posse de bola contra qualquer adversário. E isso não deve ser encarado como uma limitação, mas como uma escolha. O Brasil conta com atacantes capazes de transformar transições em chances de gol.

Vinícius Junior e Raphinha podem explorar a profundidade e conduzir contra-ataques, Estêvão e Rayan trazem capacidade de aceleração e drible, Endrick oferece uma referência na área e Pedro pode atuar como um centroavante mais tradicional. Caso Ancelotti conclua que não dispõe de um meio-campo que controle todos os jogos, ele pode montar uma equipe que aceite períodos sem a bola e busque recuperar a posse rapidamente para atacar.

Essa abordagem também esclarece a importância dos meio-campistas box-to-box convocados. Se o Brasil não dominar territorialmente todos os jogos, seus jogadores de meio precisam ser ágeis o suficiente para percorrer grandes distâncias. É fundamental que eles pressionem após a perda e avancem quando a posse for recuperada. Nesse cenário, um meio-campista que apenas saiba distribuir passes curtos pode ser menos atraente do que um jogador capaz de atuar em diversas zonas durante os 90 minutos.

A convocação mostra onde Ancelotti pretende procurar a solução do meio

A pergunta mais intrigante dessa convocação é: que tipo de meio-campo Ancelotti busca construir para o Brasil de 2030? A resposta ainda não está clara, mas algumas pistas estão disponíveis.

O treinador procura jogadores jovens, que possam acompanhá-lo durante todo o ciclo. Meio-campistas que tenham a capacidade de jogar em formações com dois ou três atletas na posição. Ele valoriza jogadores posicionais como Andrey e Martinelli, mas também convocou um número significativo de meio-campistas box-to-box. Ao reconhecer que o setor é o mais carente da Seleção, ele deixa claro que ainda está em busca de jogadores que possam elevar o nível da equipe.

Danilo Santos como reserva do Brasil contra Japão (Foto: Imago/STEINSIEK.CH)Danilo Santos como reserva do Brasil contra Japão (Foto: Imago/STEINSIEK.CH)

Isso também explica por que a porta está aberta para todos. Ancelotti afirmou que dará prioridade aos jovens neste momento, mas deixou claro que jogadores mais experientes podem ser convocados quando uma competição importante se aproximar. A convocação de Douglas Luiz exemplifica que a renovação não significa apagar o passado.

Assim, o Brasil inicia o novo ciclo com um paradoxo. Há atacantes suficientes para que Ancelotti considere diversas formas de ocupar o último terço. Existem zagueiros que o treinador acredita serem capazes de sustentar o futuro. Contudo, ainda não está claro quais jogadores devem conectar essas duas partes do time.

Antes de definir o sistema, Ancelotti precisa identificar quais meio-campistas são capazes de fazer o esquema funcionar. A Data Fifa de setembro representa, nesse sentido, menos o início de uma Seleção pronta e mais o primeiro grande teste do novo ciclo.

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