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Terça-feira, 29 de Setembro de 2026
Seleção brasileira: O desafio de Ancelotti como construtor em vez de gestor

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Seleção brasileira: O desafio de Ancelotti como construtor em vez de gestor

A partir de agora, Carlo Ancelotti terá algo que não teve durante seu primeiro ano na seleção brasileira: tempo. O italiano assumiu a responsabilidade de preparar o Brasil para uma Copa do Mundo que se iniciaria em pouco mais de um ano, o que exigiu decisões rápidas, lidar com lesões e testar alternativas em um espaço restrito.

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Seleção brasileira: O desafio de Ancelotti como construtor em vez de gestor

Carlo Ancelotti agora dispõe de um recurso que lhe faltou no ano inicial à frente da seleção brasileira: o tempo. Ao assumir o comando, o italiano tinha como desafio preparar a equipe para uma Copa do Mundo que começaria em pouco menos de um ano. Foi obrigado a tomar decisões com urgência, lidar com lesões e testar opções em um intervalo de tempo limitado, além de escolher os 26 atletas que iriam ao Mundial.

A eliminação diante da Noruega antecipou o fim daquele ciclo. O que se inicia agora é distinto: Ancelotti, pela primeira vez, terá quatro anos para moldar uma equipe.

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Contudo, dispor de um ciclo completo até 2030 não se resume a trabalhar com mais tranquilidade. Isso implica assumir uma responsabilidade muito mais ampla. A Seleção que saiu da Copa de 2026 não tinha uma base suficientemente sólida para ser apenas ajustada com algumas mudanças. Existem lacunas no gol, nas laterais, no meio-campo e até no ataque, onde, apesar da variedade de opções, é necessário descobrir quais jogadores realmente podem manter o nível internacional.

É neste contexto que a expressão “construtor” adquire relevância. Ancelotti não terá apenas a função de gerir um elenco já conhecido e escolher os melhores nomes disponíveis. Ele precisará identificar quem serão os jogadores que comporão a Canarinho em 2030. Isso demandará acompanhamento, testes, descartes, recuperações e, acima de tudo, a criação de referências onde ainda existem incertezas.

O novo ciclo da Seleção: muitas incertezas e posições a serem preenchidas

Jogadores brasileiros aplaudem torcida após empate por 1 a 1 com a AustráliaJogadores brasileiros aplaudem torcida após empate por 1 a 1 com a Austrália (Foto: Jono Searle / AAP / IMAGO)

Atualmente, a Seleção conta com alguns atletas que parecem estar naturalmente vinculados a este novo ciclo. Vinícius Junior, Raphinha, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães são referências que permaneceram após a Copa. A eles, somar-se-ão jogadores que não puderam participar do Mundial devido a lesão e que agora podem recuperar um espaço significativo, principalmente Rodrygo e Éder Militão, atletas que Ancelotti conhece bem de sua época no Real Madrid.

A ligação estabelecida no clube espanhol confere a eles uma vantagem sobre outros candidatos que ainda precisam conquistar seu espaço: o treinador já está ciente do que podem proporcionar e de como reagem às suas ideias.

Entretanto, isso não significa que exista uma espinha dorsal definida. A primeira convocação após a Copa evidenciou essa realidade: 17 dos 26 jogadores que participaram do Mundial não foram convocados, enquanto nove permaneceram na lista. Entre os retidos estavam precisamente alguns dos atletas que poderão formar a nova base, como Vinícius, Raphinha, Gabriel Magalhães e Bruno Guimarães.

O desafio é que, para a maioria das posições, Ancelotti terá de buscar respostas. No gol, Alisson e Ederson não foram convocados para os primeiros amistosos do novo ciclo, abrindo espaço para uma avaliação mais abrangente. A lateral-direita também se apresenta como uma posição que demandará atenção, enquanto a lateral-esquerda ainda carece de um titular inquestionável.

Na defesa, Gabriel Magalhães é uma referência, mas o retorno de Militão e a definição de seus companheiros ainda estão em aberto. No meio-campo, a situação é ainda mais crítica. Bruno Guimarães aparece como um nome de continuidade, mas Ancelotti reconheceu que é necessário encontrar jogadores que possam elevar o nível do setor.

A questão não se resume à quantidade. O treinador busca características que possam modificar a forma como a equipe atua. Se surgir um meio-campista capaz de controlar o jogo de maneira mais eficaz, por exemplo, o modelo da Seleção pode ser diferente daquele demonstrado em 2026.

No ataque, a situação parece mais confortável, mas ainda carece de definição. Vinícius e Raphinha trazem experiência e protagonismo; Rodrygo pode retornar; Estêvão e Endrick representam uma nova geração; e outros nomes ainda precisam provar que conseguem transformar seu desempenho em clubes em rendimento na Seleção. Em resumo: mesmo onde há maior oferta de talento, Ancelotti necessitará descobrir a combinação ideal.

O novo trabalho será descobrir, não apenas escolher

Ancelotti ao lado de sua comissão técnica no banco de reservas durante amistoso entre Austrália x Brasil Ancelotti ao lado de sua comissão técnica no banco de reservas durante amistoso entre Austrália x Brasil (Foto: Jono Searle / IMAGO)

A distinção que separa Ancelotti como gestor e construtor é fundamental. Na preparação para 2026, o treinador tinha que optar entre jogadores que já conhecia ou que tinham pouco tempo para mostrar seu valor.

Neste momento, ele pode acompanhar uma geração inteira. Um jogador pode ser convocado em setembro, ser excluído em novembro e retornar em seis meses com um desenvolvimento diferente. A avaliação não precisa ser conclusiva a cada Data Fifa.

Ancelotti já mencionou a importância de “avaliar bem” os jogadores e de monitorar seu progresso nos clubes. Essa declaração sinaliza uma mudança significativa em sua função: ele não pode se limitar a observar apenas quem está pronto hoje. Deve identificar quem pode estar preparado em 2028 ou 2030, o que implica em observar categorias de base, acompanhar novos jogadores que despontam no futebol brasileiro e monitorar aqueles que ganham destaque no exterior.

A convocação de setembro representa apenas o primeiro passo desse processo. Nomes como Jair, Breno Bidon, Arthur Dias e outros jovens receberam a chance, enquanto jogadores que participaram da Copa ficaram de fora. Isso não significa que os primeiros estejam garantidos para 2030 ou que os “segundos” tenham sido descartados. A lógica é, na verdade, oposta: Ancelotti precisa ampliar o leque de candidatos antes de reduzir o grupo.

Essa mudança de perspectiva representa um dos maiores desafios para o italiano.

No ambiente de clube, Ancelotti trabalha com um elenco relativamente estável e tem contato diário com os jogadores. Na Seleção, ele contará com poucos dias a cada convocação. Portanto, sua habilidade de construção dependerá também da relação com os clubes e da estrutura da própria CBF. Ele mesmo já destacou que o desenvolvimento do talento ocorre principalmente nos clubes e que a Seleção precisa acompanhar essa evolução de maneira próxima.

Como consequência, os próximos quatro anos não podem ser vistos apenas como uma série de amistosos. Cada convocação deve responder a uma questão: o que este jogador agrega ao projeto de 2030? Às vezes, a resposta será positiva, enquanto em outras ocasiões, o teste revelará que uma determinada alternativa não é eficaz. O erro faz parte do processo, desde que exista critério para transformá-lo em aprendizado.

 

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