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Terça-feira, 22 de Setembro de 2026
Vitória da equipe 'Sabedoria do Direito' no 5º Concurso de Júri Simulado do MPRO em Porto Velho

Justiça

Vitória da equipe 'Sabedoria do Direito' no 5º Concurso de Júri Simulado do MPRO em Porto Velho

Na terça-feira (22/9), Porto Velho foi palco da grande final do 5º Concurso de Júri Simulado organizado pelo Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO).

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Na terça-feira (22/9), o Ministério Público do Estado de Rondônia (MPRO) promoveu em Porto Velho a final do 5º Concurso de Júri Simulado. A equipe ‘Sabedoria do Direito’, oriunda da Unama, conquistou a vitória com uma nota de 9,19, superando a equipe ‘Quattuor Legis’ da Afya São Lucas, que obteve 8,96, diferença de 0,23. A sessão foi baseada em um caso real de homicídio adaptado para a competição.

Este ano, participaram do concurso sete instituições de ensino superior, totalizando oito equipes, cada uma composta por quatro integrantes, representando 32 acadêmicos ao longo do evento. A equipe vencedora recebeu um prêmio de R$ 5 mil, enquanto a vice-campeã ficou com R$ 2,5 mil, além de troféus e medalhas para todos os participantes. Helena Carine foi destacada como a melhor oradora, alcançando a nota 9,5.

Caso final

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O crime que serviu de base para o julgamento final ocorreu no início de 2021 em uma cidade do interior de Rondônia. Conforme a denúncia, a ré, que na época tinha 32 anos, assassinou seu pai, de 61 anos, utilizando uma faca do tipo peixeira.

A ré confessou o crime à polícia logo após o ocorrido e manteve sua confissão durante o julgamento. De acordo com os relatos da própria acusada e de seus irmãos, o crime foi motivado por um histórico de violência sexual perpetrada pelo pai contra os filhos desde a infância, além de situações de violência doméstica e ameaças com armas de fogo direcionadas à mãe e aos irmãos. Pouco antes do crime, o pai havia manifestado a intenção de matar o esposo da acusada, encomendado quatro gaveteiros em uma funerária e comunicado a vizinhos que mataria toda a família.

A acusação reconheceu o passado de violência mencionado pela ré, mas argumentou que a dor não pode justificar a falta do devido processo legal. A promotoria rejeitou a tese de legítima defesa, argumentando que a vítima estava desarmada e de costas no momento do ataque, sem estar em uma situação de agressão atual ou iminente. A tese de violenta emoção foi afastada com a justificativa de que o crime foi premeditado. A acusação solicitou a condenação por homicídio privilegiado-qualificado, com o reconhecimento da qualificadora de dissimulação.

A defesa não contestou a autoria nem o planejamento do crime, mas pleiteou a absolvição com base na legítima defesa e na inexigibilidade de conduta diversa, considerando as décadas de violência sofridas pela ré e seus irmãos. A argumentação defensiva trouxe relatos de violência sexual contra uma das irmãs, entre 9 e 15 anos, e uma ameaça de arma de fogo contra um dos irmãos, aos 7 anos, além de armas apreendidas na residência da família. De forma subsidiária, a defesa pediu o reconhecimento de homicídio privilegiado por relevante valor moral e social.

Os sete jurados concordaram por unanimidade com os quesitos de materialidade e autoria. No entanto, o quesito geral de absolvição foi aceito por maioria, com 5 votos a favor e 2 contra. Com o resultado, a juíza que presidiu a sessão proclamou a absolvição da acusada. O desfecho do exercício simulado divergiu do caso real que o inspirou: na ação verdadeira, a ré foi condenada por homicídio simples com privilégio.

Homenagem

O concurso prestou uma homenagem a José Viana Alves, procurador de justiça aposentado e ex-Procurador-Geral de Justiça do MPRO. Nascido em Diamantina, Minas Gerais, em 6 de setembro de 1945, ele perdeu a mãe em tenra idade e começou a trabalhar cedo, em circo, serrarias e na indústria madeireira. Aprendeu a ler apenas aos 17 anos e, a partir desse momento, dedicou-se aos estudos.

Formado em Direito no sul de Minas Gerais, tornou-se advogado em 1980. Mudou-se para Ji-Paraná em 1982 e, no ano seguinte, tomou posse como promotor de justiça do MPRO. Em 1987, chegou a Porto Velho, onde atuou por 12 anos como titular da Vara Única do Júri, tornando-se uma referência em oratória em plenário. Em 1996, foi promovido a procurador de Justiça e, posteriormente, exerceu a função de Procurador-Geral de Justiça por dois biênios. Após se aposentar da carreira ministerial, continuou lecionando, advogando e atuando no Tribunal do Júri, o que o levou a ser escolhido patrono da 5ª edição do Concurso de Júri Simulado do MPRO.

Parceria

De acordo com o coordenador do Centro de Apoio Operacional Unificado (CAOP-UNI), promotor de Justiça Alan Castiel Barbosa, o MPRO não organiza o evento de forma isolada, e a essência democrática do júri é refletida na parceria entre as instituições. Ele expressou agradecimentos aos professores, orientadores e colegas que auxiliaram no treinamento das equipes durante as fases da competição.

O concurso teve a coordenação do promotor de Justiça Rodrigo Nicoletti, que esteve envolvido na organização e condução das etapas do evento. Na sessão final, os trabalhos foram presididos pela juíza de Direito Cláudia Vieira Maciel de Sousa. Também fizeram parte do júri o advogado Rodrigo Ferreira Batista, o advogado Leonardo Costa Lima, o defensor público Leonardo Werneck de Carvalho, o procurador de Justiça Cláudio Wolff Harger, a promotora de Justiça Tânia Garcia e a servidora do MPRO Simone Netto Toledo.

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