Capital Brasil Notícias

Sexta-feira, 18 de Setembro de 2026
Condenações acumuladas pelo Instituto Veritá e pesquisas impedidas em 14 estados

Política

Condenações acumuladas pelo Instituto Veritá e pesquisas impedidas em 14 estados

O Instituto Veritá, que liderou o número de pesquisas nas eleições de 2022, enfrentou proibições de divulgação de levantamentos por irregularidades técnicas e indícios de fraude em 13 estados e no Distrito Federal apenas neste ano.

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Instituto Veritá, que realizou o maior número de pesquisas durante as eleições de 2022, foi alvo de proibições para a divulgação de levantamentos por irregularidades técnicas e suspeitas de fraude em 13 estados e no Distrito Federal apenas neste ano. Na quarta-feira (12/8), os Tribunais Regionais Eleitorais (TRE) do Rio Grande do Norte e de Sergipe determinaram que o Veritá não poderia anunciar os resultados de suas sondagens para governo e Senado.

A Justiça Eleitoral nos dois estados concluiu que a amostra do Veritá apresentava discrepâncias significativas em relação à realidade local, super-representando eleitores ricos e escolarizados.

No estado de Sergipe, o instituto inflacionou a proporção de eleitores com ensino superior completo ou incompleto para 31,1% em sua coleta, bem acima do índice de 19,2% que sua fonte de dados, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD) de 2025, indicava – conforme o TSE, apenas 12,82% do eleitorado sergipano possui essa formação.

Leia Também:

Como resultado, o TRE-SE vetou a divulgação da pesquisa registrada na última quinta-feira (7). Contudo, um novo levantamento, seguindo os mesmos critérios considerados irregulares, foi registrado nesta quarta-feira (12) para publicação na próxima semana.

Em relação ao Rio Grande do Norte, a pesquisa apresentou 34% de eleitores com ensino superior (enquanto a média do TSE é de 13,73%) e apontou 25% de eleitores na faixa de maior renda, o que é o dobro em comparação a outros institutos. A decisão também impôs uma multa superior a R$ 58 mil por reincidência, pois o Veritá já havia sido impedido de divulgar pesquisas anteriores no estado pelas mesmas irregularidades.

Os levantamentos realizados pelo Veritá ocorrem por telefone. As decisões das justiças eleitorais em estados como Piauí, Amazonas e Pernambuco indicam que o instituto não apresenta transparência ou detalhamento adequados sobre a coleta, seleção e abordagem dos contatos para conduzir suas sondagens.

Na Paraíba, a Justiça Eleitoral verificou que o Veritá utilizou metodologias excessivamente vagas, deixando de especificar se a coleta seria presencial, telefônica, eletrônica ou híbrida. Quando informou que a pesquisa seria feita por telefone, não detalhou como seleciona e sorteia os contatos, controla duplicidades ou confirma o domicílio eleitoral dos entrevistados.

O TRE do Tocantins argumentou que a falta de clareza na indicação da fonte pública de dados constitui um “vício substancial, porque obstaculiza a fiscalização externa (controle social) e ofende o dever de transparência”. Nesse estado, uma pesquisa teve coleta de dados entre 29 de março e 4 de abril, mas a data prevista para a divulgação dos resultados foi agendada para o dia 3 de abril, antes do término das entrevistas.

Em resposta, o Veritá alegou que “cada juiz e cada tribunal está tendo um entendimento” e que “no final a gente (sic) mostra e acerta” – leia nota ao final da reportagem. Um levantamento do PollsterGraph, um agregador de pesquisas da concorrente AtlasIntel, coloca o Veritá na 72ª posição entre os institutos com melhor desempenho nas eleições passadas.

O Veritá formaliza no sistema do TSE que emprega o método probabilístico PPT (Probabilidade Proporcional ao Tamanho), alegando que sua amostra reflete com precisão o eleitorado de cada estado, permitindo o uso do fator de ponderação 1 – isto é, o instituto não realiza ajustes matemáticos posteriores para corrigir distorções após a coleta.

Esse procedimento, no entanto, tem sido contestado em decisões judiciais. No Espírito Santo, o Veritá concentrou 42,13% de todas as entrevistas na capital Vitória, que representa apenas 8,89% do eleitorado capixaba. Enquanto isso, as cidades de Serra e Vila Velha, os maiores colégios eleitorais do estado, não receberam nenhuma entrevista.

Em seu voto, o jurista Hélio João Pepe de Moraes destacou que “a concentração de quase metade da amostra na Capital não é fruto da aleatoriedade, mas resultado de escolha no desenho da coleta”.

Esse problema não é exclusivo do Espírito Santo. Processos em estados como Sergipe, Pernambuco e Paraíba indicaram que os questionários aplicados por telefone pelo Veritá não continham sequer perguntas sobre o bairro, endereço ou setor censitário do eleitor.

No Amazonas, a Justiça Eleitoral proibiu a divulgação dos resultados de uma pesquisa do Veritá após uma análise forense contratada pelo PSD ter identificado cerca de 380 pares consecutivos de linhas idênticas em todos os 28 campos do registro na planilha pública apresentada pelo instituto.

Isso significa que 62% de toda a amostra declarada (de 1.220 entrevistas) consistia em dados duplicados em série, repetindo exatamente as mesmas respostas para as 23 perguntas. A Justiça Eleitoral constatou o óbvio: tal padrão é estatisticamente implausível.

A relatora Maria Auxiliadora dos Santos Benigno comentou que “a magnitude do padrão descrito – 62% da amostra declarada com registros duplicados em série – é incompatível, em qualquer juízo de verossimilhança, com o funcionamento de uma unidade automatizada de reconhecimento de voz realizando entrevistas independentes, tal como a metodologia declarada descreve”.

Além do mais, a planilha apresentava a coluna “telefone” completamente vazia, o que contraria diretamente o relatório oficial do Veritá que afirmava que 20% das entrevistas telefônicas haviam sido auditadas.

Além das falhas estatísticas, o Veritá também tem enfrentado denúncias e condenações por incluir em suas pesquisas perguntas que supostamente induzem os eleitores a determinadas respostas, além de apresentar candidaturas que não existem.

No Distrito Federal, o bloco final do questionário continha perguntas que detalhavam a Operação Dracon e a compra do Banco Master pelo BRB, antes de questionar se o eleitor acreditava que a governadora Celina Leão “pode estar envolvida nas denúncias da Operação Dracom” e se ele tinha ouvido mais “notícias negativas ou positivas” sobre ela.

A relatora Leonor Aguena ressaltou que essa estrutura gerou um enviesamento metodológico evidente, pois o entrevistado era levado a um estado mental negativo por perguntas sucessivas desabonadoras associadas diretamente à governadora antes de fazer sua avaliação final. A divulgação da pesquisa foi suspensa.

No Espírito Santo, o instituto incluiu os prefeitos Euclério Sampaio (de Cariacica) e Arnaldinho Borgo (de Vila Velha) em cenários de intenção de voto para o cargo de governador em uma sondagem feita mais de 20 dias após o prazo para que eles se desincompatibilizassem. Portanto, quando já eram inelegíveis. Para a Justiça eleitoral, essa conduta “compromete a integridade e a transparência da pesquisa eleitoral, criando um cenário de disputa eleitoral fictício”.

O mesmo ocorreu no Mato Grosso do Sul, onde Simone Tebet foi incluída como candidata ao Senado pelo MDB, apesar de já ter assinado filiação ao PSB de São Paulo. A divulgação da pesquisa foi proibida, mas a decisão foi revertida, entre outras razões, porque o Agir, que solicitou a suspensão, não comprovou a filiação de Tebet em São Paulo.

Levantamento da coluna registrou contestações contra pesquisas do Veritá em 18 estados neste ano. Apenas em dois – Maranhão e Paraná – o instituto não foi impedido de divulgar seus dados ao menos uma vez.

Adriano Silvoni, proprietário do Veritá, afirmou que não poderia atender a coluna e pediu que o assunto fosse tratado por mensagem. Ao ser informado sobre a pauta, enviou a seguinte mensagem antes de se despedir:

Se quiser contar que das [sic] mais de 200 registros teve mais de 50 impugnações e dessas mais de 70% revertidas. Cada juiz e cada tribunal está tendo um entendimento. Tem TREs legislando inclusive sobre pesquisa de presidente que não é competência deles. Da nossa parte, agente [sic] não espera muito menos que isso, o instituto é independente e o que mais faz pesquisas por iniciativa própria, muitas UFs agente [sic] temos pedidos de impugnação de todos os candidatos.

No final agente [sic] mostra e acerta. Como 2018 só nos acertamos, primeiro turno de 2022 mesma coisa. Segundo turno melhor eu não te contar o que vi. Sobre 2024, fomos o primeiro a mostrar que Pablo estava na briga, ele só ficou fora por conta de um laudo. Segundo turno de 2024 fomos o único a fazer as 51 cidades que teve segundo turno. E acertamos 49 de 51. Sem contar 2010/2014/2016. Estamos tranquilos porque temos metodologia sólida, testada e previsões precisas. ‘Temos história’“.

Comentários:
Capital Brasil

Publicado por:

Capital Brasil

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!