Carlo Ancelotti se prepara para começar seu segundo ciclo à frente da seleção brasileira nesta sexta-feira (25), às 7h (horário de Brasília), em um confronto com a Austrália, no primeiro amistoso após a Copa do Mundo. Durante essa Data Fifa, o técnico enfrentará a seleção da Oceania em duas ocasiões e viajará para a Índia para se medir com os donos da casa. Um dos objetivos neste período é definir uma espinha dorsal para a Seleção.
A primeira convocação de Ancelotti após a Copa do Mundo trouxe uma reformulação na base da equipe. Dos 26 jogadores que participaram da delegação brasileira nos Estados Unidos, apenas nove estiveram presentes no Mundial, realizado entre junho e julho. A intenção da comissão técnica, sob o comando de Ancelotti, é descobrir novas opções em todos os setores, visando preparar o ciclo até 2030.
Um dos principais dilemas que o italiano enfrenta nesses primeiros desafios está no ataque. Com a volta de Estêvão, que foi cortado da Copa do Mundo devido a uma lesão muscular de grau 4, Ancelotti tem novamente sua preferência pelo lado direito; em contrapartida, Rayan, que ocupou essa posição durante o Mundial, está em melhor fase do que o brasileiro do Chelsea.
A expectativa é que o treinador utilize ambos nos próximos amistosos, evitando riscos de lesão nas partidas contra a Austrália e a Índia. Contudo, esses jogos servirão para que Ancelotti tenha uma visão mais clara de qual jogador será o titular e prioridade pela ponta-direita, caso decida manter a formação.
Estêvão busca se reencontrar na seleção brasileira após temporada apagada no Chelsea
Estêvão tem enfrentado dificuldades nesta temporada no Chelsea. Após se recuperar de lesão, começou a pré-temporada como titular sob o comando de Xabi Alonso, mas perdeu espaço com a chegada de Morgan Rogers. Nas primeiras rodadas da Premier League, o treinador espanhol optou por um trio formado por Cole Palmer, Rogers e João Pedro. A concorrência aqui é com Pedro Neto, mas na ala — precisamente onde o brasileiro não deseja atuar.
O brasileiro, que pode jogar pela direita ou de forma centralizada no Chelsea, foi titular apenas nas partidas da equipe pela Copa da Liga Inglesa. Na Premier League, acumulou poucos minutos (42) e tem encontrado dificuldades para garantir sua posição. Até o momento, não contribuiu com gols nas partidas disputadas nesta temporada.
Mesmo assim, Estêvão recebeu mais uma oportunidade de confiança com Ancelotti para defender a seleção brasileira. Antes da Copa do Mundo, ele era o artilheiro da era do italiano à frente da seleção pentacampeã, com cinco gols marcados. Embora tenha tentado se recuperar a tempo de participar do Mundial, mesmo com uma ruptura quase completa do músculo, não foi convocado para os Estados Unidos pelo técnico.
— Meu objetivo nos treinos é dar o melhor de mim e aproveitar cada oportunidade que surgem. Acredito que dia após dia, estou agarrando todas as chances que tenho — afirmou Estêvão em entrevista coletiva na Austrália.
Nesta temporada, o atacante vivencia um cenário semelhante ao de Endrick, que também tem sido pouco utilizado no Real Madrid. Ambos ainda estão nos planos do treinador, mesmo com a baixa minutagem em Chelsea e Galácticos. Entretanto, essa falta de tempo em campo pode colocá-los atrás na disputa pela titularidade na seleção brasileira.
Rayan se destaca no Bournemouth e na Seleção
Para conquistar a titularidade, Estêvão terá que superar Rayan, tanto nos treinos quanto nos amistosos. Isso porque, ao contrário do atacante do Chelsea, o ex-jogador do Vasco começou a temporada 2026/27 como terminou a anterior: bem visto na seleção brasileira e com a titularidade garantida no Bournemouth.
O atacante conquistou um lugar entre os 11 iniciais de Carlo Ancelotti durante a Copa do Mundo, devido à lesão de Raphinha. A mudança do camisa 11 para a função de falso 9 no Barcelona permite a Ancelotti manter Rayan na ponta-direita neste primeiro instante — ou reutilizar Estêvão, conforme sua escolha.
No Bournemouth, mesmo com a mudança na direção técnica, Rayan foi titular em seis dos sete jogos — exceto no confronto contra o Lincoln City, pela Copa da Liga Inglesa. Ele já soma dois gols nesta temporada e recebeu elogios do treinador Marco Rose, que assumiu o cargo no lugar de Andoni Iraola, pela sua evolução ao longo das partidas.
Rayan comemora gol pelo Bournemouth. Foto: IMAGO / Focus Images
Rayan também apresenta características distintas de Estêvão. Em comparação com o atacante do Chelsea, ele é capaz de exercer mais pressão sobre os adversários e ajudar na marcação da seleção brasileira. Durante a Copa do Mundo, foi designado para auxiliar o lateral-direito Danilo, do Flamengo, nessa função ao longo do jogo.
O atacante do Bournemouth apareceu apenas em março na lista da seleção brasileira, na última convocação antes do corte final. Mesmo sem marcar nos amistosos contra França e Croácia, ele garantiu uma vaga na Copa do Mundo devido às lesões de Estêvão e Rodrygo. No Bournemouth, ele tem contabilizado sete gols e duas assistências em 22 partidas. Com a Seleção, são seis jogos, um gol e uma assistência.
Ancelotti pode mudar a formação da seleção brasileira para adaptar novo Raphinha
A escolha entre Estêvão e Rayan está diretamente ligada à mudança na posição de Raphinha. Atuando centralizado no Barcelona, em uma função similar à desempenhada por Matheus Cunha durante a Copa do Mundo, a expectativa é que Ancelotti mantenha o atacante como falso 9 em seus primeiros amistosos neste novo ciclo.
Se Raphinha permanecer na ponta-direita, Estêvão e Rayan precisarão ser deslocados para a meia, e Endrick, jogando como centroavante, poderá ter mais oportunidades do que os dois atacantes ingleses, de acordo com as ideias já utilizadas por Ancelotti desde o último ano.
No decorrer da Copa do Mundo, Ancelotti alternou entre três e quatro atacantes em cada partida. Na estreia, contra Marrocos, Raphinha e Vinícius Junior começaram como titulares, ao lado do centroavante Igor Thiago. Contudo, o treinador não voltou a escalar o atacante do Brentford até a eliminação diante da Noruega, nas oitavas de final.
Raphinha celebra gol pelo Barcelona (Foto: Javier Borrego/ZUMA Press Wire/Imago)
No setor ofensivo, Ancelotti também contará com Samuel Lino e Pedro, ambos do Flamengo, como opções para os próximos amistosos. Lino já havia sido convocado pelo técnico italiano na última convocação, enquanto o centroavante, que participou da Copa do Mundo de 2022, não defende a seleção brasileira desde junho de 2023.
A exclusão de João Pedro, entretanto, sugere que Raphinha atuará centralizado. O centroavante do Chelsea chegou a ser convocado, mas foi substituído por Martinelli, meio-campista. Assim, Ancelotti tem apenas o atacante do Barcelona e Pedro como opções para exercer a função de um camisa 9.
Próximos jogos da seleção brasileira
- 25/9 – Austrália x Brasil
- 29/9 – Austrália x Brasil
- 3/10 – Índia x Brasil
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