O Real Madrid se prepara para o primeiro dérbi da temporada frente ao Atlético de Madrid em uma situação peculiar. Apesar de não serem ruins os números: cinco vitórias em seis rodadas de LaLiga, somadas a uma estreia com vitória sobre a Internazionale na Champions League, a equipe liderada por José Mourinho tem apresentado um desempenho que não condiz com os resultados obtidos, especialmente entre os jogadores brasileiros.
Embora Vinícius Junior continue sendo uma peça-chave na equipe, ele vem tendo um começo de temporada que não atende às expectativas. Endrick retornou ao clube após um empréstimo bem-sucedido ao Lyon, mas precisou aguardar até a sexta rodada para estrear e já se depara com a inesperada concorrência de Carlos Espí. Rodrygo, por sua vez, está em fase de recuperação de uma lesão grave no joelho e deverá retornar apenas em 2027, enquanto Éder Militão, afastado devido a duas rupturas de ligamento e outros problemas musculares nos últimos anos, segue como desfalque.
O comandante português tem o desafio de trazer estabilidade ao clube após uma temporada conturbada e encontrou um elenco cheio de estrelas, mas com jogadores essenciais indisponíveis ou não rendendo seu melhor. O clássico contra o Atlético, marcado para domingo (20) às 11h15 (de Brasília), no Metropolitano, surge como o primeiro grande desafio para medir a consistência entre os resultados e o desempenho da equipe.
Vinícius Junior tem mais tempo em campo, mas menos produção que os principais craques do Real Madrid
A situação de Vinícius Junior não se deve à falta de confiança do treinador. Mourinho tem dado ao atacante brasileiro um respaldo que ele nem sempre teve na temporada anterior. Contudo, a quantidade de minutos não tem se refletido em produção ofensiva na mesma proporção.
Em sete jogos, Vini Jr contabiliza um gol e três assistências em aproximadamente 598 minutos, números que se tornam ainda mais modestos quando comparados aos de outros jogadores. Kylian Mbappé, por exemplo, já começou a temporada com uma sequência de gols impressionante: após marcar duas vezes contra o Rayo Vallecano, ele chegou a sete gols em seis partidas de LaLiga.
Vinicius Junior pelo Real Madrid. Foto IMAGO / ZUMA Press Wire
Além disso, Jude Bellingham também começou bem a temporada, com três gols e duas assistências no campeonato. Já Arda Güler surge como um caso interessante para essa comparação: o turco tem um gol e duas assistências em apenas 226 minutos de LaLiga. Assim, enquanto Vini Jr acumulou três participações diretas em gols na competição, precisou de muito mais tempo em campo para alcançá-las em comparação a Güler.
Em alguns momentos, a velocidade de Vinícius continua a ser uma arma difícil de defender, mas a finalização não está acompanhando a frequência com que ele chega a áreas perigosas. No jogo contra o Elche, o brasileiro teve cinco finalizações, criou uma oportunidade clara e participou ativamente das jogadas ofensivas, mas não conseguiu converter suas chances em gols. Ele foi substituído aos 68 minutos e recebeu vaias de parte da torcida. Após a partida, reconheceu que precisa aprimorar a finalização e expressou a esperança de voltar a balançar as redes no dérbi.
Entretanto, isso não implica que Vini Jr tenha perdido sua importância ou que uma sequência de jogos seja suficiente para redefinir seu nível. A temporada apenas começou e suas três assistências mostram que ele continua contribuindo na criação de jogadas. Contudo, o contexto no Real Madrid evidencia a diferença.
Endrick retorna, mas encontra Espí como concorrente
Se a questão de Vini Jr é a produção, a de Endrick é a falta de espaço. O brasileiro voltou ao Real Madrid após seis meses positivos no Lyon, e sua permanência no elenco foi uma decisão que envolveu diretamente Mourinho. O técnico português recusou propostas de empréstimo e venda, pois queria trabalhar com o jovem atacante.
Entretanto, gostar de Endrick e conseguir minutos para ele são situações distintas em um elenco onde Mbappé ocupa praticamente todo o espaço como referência ofensiva. A situação se complicou ainda mais, pois Endrick precisou perder parte da pré-temporada devido a uma lesão muscular e começou a temporada atrás dos demais jogadores.
Endrick no banco de reservas do Real Madrid contra a Internazionale (Foto: Imago/Pressinphoto)
O desafio é que, no período em que esteve afastado, o Real Madrid descobriu uma alternativa que não estava prevista como protagonista: Carlos Espí. O espanhol, que veio do Levante, começou a ter minutos e aproveitou bem as oportunidades que recebeu.
Até o dérbi, Espí já havia participado de quatro partidas de LaLiga, todas como reserva, e marcou dois gols em apenas 25 minutos jogados. Um desses gols foi o da vitória sobre o Espanyol, enquanto o outro ocorreu contra o Elche, quando entrou aos 87 minutos e fez o gol da vitória nos acréscimos.
Ademais, Espí oferece a Mourinho um perfil de centroavante mais tradicional, que pode atuar na área e servir como referência física quando o Real precisa mudar a dinâmica da partida. Portanto, o retorno de Endrick ao Real Madrid não resolveu rapidamente sua falta de espaço no elenco.
É prematuro afirmar que Espí está definitivamente à frente de Endrick na hierarquia, visto que a amostra é limitada e o brasileiro está retornando de lesão. Contudo, a realidade antes do dérbi é clara: Mbappé é o titular incontestável, Espí ganhou confiança com dois gols em poucos minutos e Endrick ainda precisa recuperar seu espaço no time.
Ademais, há uma dúvida no ar: o Real Madrid já considera novamente a possibilidade de um empréstimo para Endrick em janeiro, caso a falta de minutos persista. O "The Athletic" noticiou que o futuro do brasileiro será reavaliado antes da próxima janela, mesmo após Mourinho ter sido uma das vozes que impediram sua saída na janela de verão.
Desfalques: Rodrygo e Militão seguem fora do Real Madrid
O terceiro problema apresentado pelo clube diz respeito menos ao desempenho e mais à disponibilidade. Rodrygo não poderá participar do dérbi, uma vez que ainda se recupera de uma das lesões mais graves de sua carreira. O atacante rompeu o ligamento cruzado anterior e o menisco externo do joelho direito em março, passou por cirurgia e, atualmente, a previsão é que retorne apenas em janeiro de 2027.
Quanto a Militão, o problema é ainda mais antigo. O zagueiro continua sendo um atleta de grande valor quando está em forma, mas as estatísticas das últimas temporadas são preocupantes. Militão atuou em 13 partidas na temporada 2023/24, 18 em 2024/25 e 21 em 2025/26. Portanto, ele ultrapassou a marca de 20 jogos apenas em uma das últimas três temporadas.
Rodrygo em ação pelo Real Madrid (Foto: Imago/Alterphotos)
Em agosto de 2023, ele sofreu uma rupturou do ligamento cruzado, o que resultou em 214 dias de inatividade. Em novembro de 2024, sofreu a mesma lesão, desta vez no joelho direito, e ficou afastado por 234 dias. Na última temporada, quando finalmente conseguiu participar de 21 jogos, ainda teve que lidar com problemas musculares que o impediram de jogar em diferentes momentos. No total, considerando as temporadas 2023/24, 2024/25 e 2025/26, o "Transfermarkt" contabiliza 743 dias afastados devido a lesões e 138 jogos perdidos.
Isso torna o brasileiro uma figura curiosa dentro do elenco de Mourinho. Quando está em campo, Militão é um defensor que traz velocidade para proteger espaços, possui a capacidade de defender longe de sua área e é competente nos duelos. O grande desafio é que o Real Madrid não pode planejar a temporada contando com a sua presença como se ela fosse garantida.
Por fim, é importante notar uma coincidência difícil de ignorar: os brasileiros que deveriam ser tão importantes para o elenco chegam ao primeiro grande dérbi da temporada em situações que variam entre estar abaixo do seu padrão, sem espaço ou simplesmente impossibilitados de jogar.
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