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"Já vi situações extremas, mas nunca nada tão forte quanto agora", afirmou Francisco Wataru Sakaguchi, agricultor de Tomé-Açu, no nordeste do Pará, ao descrever a intensidade das queimadas e incêndios florestais que devastaram a região em 2024. Sakaguchi precisou cancelar uma palestra em Manaus para salvar sua propriedade do fogo, mas muitos vizinhos não tiveram a mesma sorte, perdendo tudo.
De acordo com dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), 2024 registrou o maior número de focos de calor na Amazônia dos últimos 17 anos, com 137.538 focos até o início de dezembro, um aumento de 43% em relação a 2023. A maior parte dos incêndios ocorreu entre julho e novembro, com destaque para setembro, quando foram registrados 41.463 focos.
O Pará lidera o número de focos de calor no país, com 54.561 registros, e muitos municípios paraenses, como São Félix do Xingu e Santarém, sofreram com a poluição do ar e os danos causados pelos incêndios. A fumaça densa comprometeu a qualidade do ar, especialmente em Santarém, onde a poluição superou em 42,8 vezes os limites da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Brigadistas voluntários, como Daniel Gutierrez, têm enfrentado o aumento dos incêndios na região. Segundo ele, as queimadas este ano foram mais intensas do que nunca.
O engenheiro florestal Alexandre Tetto destaca que as condições climáticas favoráveis, como temperaturas altas, baixa umidade e estiagem prolongada, foram determinantes para a propagação do fogo. A vegetação seca e o clima instável aumentaram o risco de incêndios.
Apesar dos esforços para combater as queimadas, como a mobilização de brigadas e o reforço das operações estaduais, o futuro da Amazônia continua incerto, com a seca e os eventos climáticos extremos impactando ainda mais a região.