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Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026
Cientistas alertam sobre riscos de interferência nas eleições

Política

Cientistas alertam sobre riscos de interferência nas eleições

As entidades expressam preocupação com a possibilidade de que haja uma influência que comprometa "a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação de vontade dos eleitores".

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A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) manifestaram sua preocupação quanto à possibilidade de influência externa no processo eleitoral do Brasil, especialmente por parte dos Estados Unidos.

As entidades temem que uma interferência possa comprometer "a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação de vontade dos eleitores".

Em sua declaração, elas ressaltaram a importância da autonomia e independência dos cidadãos brasileiros na hora de realizar suas escolhas políticas.

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Segundo as instituições, “A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais”.

No final de agosto, um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) indicou a possibilidade de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento confidencial também alerta para uma tendência de aumento da pressão estadunidense sobre o Brasil.

A ABC e a SBPC solicitaram que as instituições da República, juntamente com a comunidade científica, acadêmica e a sociedade civil, se mobilizassem em defesa de uma eleição sem ingerência internacional.

“Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.”

As entidades também apoiaram a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog, que apresentou uma carta às Nações Unidas alertando sobre os riscos de interferência estadunidense nas eleições brasileiras, pedindo um reconhecimento internacional ágil dos resultados, independentemente do vencedor.

Na Assembleia Geral das Nações Unidas, na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também discutiu a questão. Ele defendeu a soberania dos países e mencionou tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos em nações, principalmente na América Latina e no Caribe.

“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos”, afirmou, citando contextos recentes da Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba.

As eleições estão agendadas para o dia 4 de outubro. Nesse dia, os eleitores escolherão candidatos para os cargos de deputado estadual/distrital, deputado federal, senador, governador e presidente da República.

Leia a nota completa da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC):

Soberania e democracia: o Brasil decide seu futuro

A ABC e a SBPC expressam sua preocupação diante dos alertas sobre possíveis interferências externas no processo eleitoral de 2026, especialmente com relação a possíveis pressões dos Estados Unidos que possam impactar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.

Dentro desse contexto, as entidades consideram relevante a iniciativa do Instituto Vladimir Herzog de levar às Nações Unidas suas preocupações sobre eventuais ingerências no processo eleitoral brasileiro e solicitar atenção internacional à defesa da soberania, do princípio da não intervenção e do respeito ao resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente de quem ganhe.

A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.

Em um mundo marcado pela circulação transnacional de informações, dados e tecnologias, a proteção da democracia exige atenção também às novas formas de interferência. Ações dessa natureza devem ser identificadas e apuradas com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.

A defesa da democracia também é uma questão da comunidade científica, que depende do acesso ao conhecimento, da liberdade de pensamento, da integridade da informação e da capacidade de cidadãos formarem suas opiniões sem manipulações ou condicionamentos indevidos. A soberania política, científica e digital são dimensões cada vez mais interdependentes, fundamentais para que uma nação decida seu futuro.

A ABC e a SBPC conclamam as instituições da República, a comunidade científica e acadêmica, organizações da sociedade civil, meios de comunicação, plataformas digitais e toda a sociedade brasileira a se manterem vigilantes na defesa da integridade do processo democrático. Todos devem contribuir, em suas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.

Assim, a ABC e a SBPC reafirmam princípios que não pertencem a candidaturas, partidos ou governos: a soberania nacional e a autodeterminação; eleições livres e íntegras; a não intervenção externa; o respeito à Constituição e às instituições democráticas; a integridade do ambiente informacional; e o reconhecimento do resultado proclamado pela Justiça Eleitoral, independentemente da escolha soberana das urnas.

Defender a democracia brasileira é garantir o direito do Brasil de decidir seu futuro, livre de interferências externas.

Rio de Janeiro, São Paulo, 21 de setembro de 2026.

HELENA BONCIANI NADER
Presidente da ABC

FRANCILENE PROCÓPIO GARCIA
Presidente da SBPC

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