Francesco Totti é um ícone para a Roma. O ex-atacante dedicou sua vida aos Giallorossi, rejeitando propostas de grandes clubes europeus e entregando-se em campo através de gols, assistências e títulos. Após mais de 20 anos de carreira, sua saída em 2017 não resultou na aposentadoria oficial da camisa 10, mas, simbolicamente, ninguém mais a utilizou desde então. Contudo, essa situação poderia ter mudado em 2022.
No ano mencionado, o clube romano anunciou uma das transferências mais impactantes de sua história recente: a contratação de Paulo Dybala, que se transferiu da Juventus. Em Turim, o habilidoso atacante argentino já vestia a icônica camisa que representa os craques — a mesma que já foi de Alessandro Del Piero — e quase teve a chance de usá-la novamente em Roma.
Totti revelou em sua autobiografia, que foi lançada nesta semana e cujos trechos vêm sendo divulgados na imprensa italiana, que soube que a gestão da época dos romanos desejava que o novo reforço utilizasse a camisa 10, que já foi sua. Revoltado, o ex-jogador não aceitou a proposta e disparou: “Vocês são todos idiotas“.
— Desde que me fizeram parar, na minha equipe do coração, ninguém mais usou a minha camisa. Não por escolha minha, mas principalmente por decisão dos torcedores, os verdadeiros guardiões desse símbolo — afirmou.
— Quando Paulo chegou a Roma, o clube, por vias indiretas, fez chegar até mim uma mensagem. Eles queriam entregar a camisa 10 a ele e queriam que fosse justamente eu a entregá-la durante a apresentação oficial — completou, antes de dar sua resposta ácida.
Totti e Dybala em jogo festivo (Foto: Paola Garbuio/LaPresse/Icon Sport)
Totti não sentiu ciúmes de Dybala na Roma
De acordo com a autobiografia do ex-atacante, sua reação estava mais relacionada à tentativa da gestão de transferir a responsabilidade a ele. Parecia que o clube queria que a impressão fosse a de que Totti entregou a camisa a Dybala. Essa situação poderia aumentar a pressão sobre o argentino, que acabou ficando com o número 21.
— Disse: ‘Se vocês tiverem coragem, deem a ele'. Nada contra o jogador, muito pelo contrário, gosto muito dele, inclusive como pessoa. É um garoto muito bom. Mas respondi: ‘Se vocês têm essa intenção, façam isso, sem me envolver’ — relatou.
— Eu não queria que recaísse sobre mim a responsabilidade por uma escolha de outra pessoa, de uma decisão na qual eu não tinha absolutamente nada a ver. A camisa 10 da Roma pesa e, além disso, inevitavelmente provocaria comparações comigo.
Francesco Totti é contra a aposentadoria da camisa que tem uma rica história na Roma. Para ele, mantê-la disponível é uma forma de que toda criança que sonha em jogar pelo clube tenha a esperança de vesti-la um dia. “Aposentá-la seria como negar um sonho maravilhoso às crianças“, ressaltou.
Porém, o ídolo romano prefere que a camisa seja entregue a alguém que tenha um vínculo genuíno com o clube e que tenha nascido na cidade. Até o momento, ninguém a vestiu novamente.
— Todos os dias espero que surja um novo Totti. Alguém nascido em Roma, criado em Roma, que escolha a Roma para a vida, para a eternidade. Seria diferente entregar essa camisa a alguém que vem de longe, que fica por um tempo e depois vai embora. É um símbolo importante e significativo demais, que deve ser confiado apenas a alguém que, na Roma, pelo menos potencialmente, possa jogar por quinze ou vinte anos — concluiu.
Camisas 10 de Juventus e Roma com os nomes de Dybala e Totti (Foto: IMAGO / Depositphotos)
Brasileiro já teve camisa aposentada na Roma
O lendário Aldair, que atuou por 13 anos na Roma, período em que conquistou diversos títulos no futebol italiano e se tornou um ícone da seleção brasileira, é tão admirado na capital italiana que teve sua camisa 6 aposentada por mais de uma década.
Após a saída do ex-zagueiro em 2003, o número ficou sem ser utilizado até que o brasileiro o liberou em 2014 para Kevin Strootman. O ex-meia holandês utilizou a numeração até 2018. A partir de 2019, Chris Smalling herdou a camisa e a vestiu até o ano passado. Desde então, a camisa de Aldair permanece vaga.
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