Capital Brasil Notícias

Sexta-feira, 25 de Setembro de 2026
Três votos do Conselho do MPF apoiam permanência de Gonet no caso Master

Justiça

Três votos do Conselho do MPF apoiam permanência de Gonet no caso Master

O órgão está avaliando a representação do Partido Novo que questiona a conduta de Gonet nas investigações.

IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) já possui três votos a favor da manutenção do procurador-geral da República, Paulo Gonet, à frente das investigações do caso Master.

Até o momento, o voto do relator, subprocurador-geral da República Francisco de Assis Sanseverino, prevalece, tendo ele votado nesta sexta-feira (25) pelo arquivamento total da notícia-crime apresentada. O Partido Novo levantou suspeitas sobre uma possível prevaricação de Gonet na condução do caso.

Os conselheiros Celso de Albuquerque Silva e Janice Agostinho Barreto Ascari também votaram a favor da permanência de Gonet no caso Master. Porém, a subprocuradora divergiu em relação ao arquivamento, apontando que existem aspectos que precisam ser melhor esclarecidos.

Leia Também:

A análise da notícia-crime teve início por volta das 10h desta sexta-feira (25). Após as manifestações dos três primeiros conselheiros, a sessão foi suspensa para o intervalo de almoço, com previsão de retomada após uma hora.

O Conselho Superior é o órgão máximo do MPF, formado por nove subprocuradores-gerais da República, responsáveis, entre outras funções, pela autorização de investigações que envolvem o PGR.

A representação do Partido Novo foi fundamentada em diversas menções ao PGR que foram encontradas em anotações e mensagens retiradas pela Polícia Federal (PF) do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do antigo Banco Master.

Para o partido, as referências a Gonet geram dúvidas sobre a conduta do PGR.

Vorcaro é o principal investigado na Operação Compliance Zero, que investiga a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente realizadas pelo ex-banqueiro. Ele está detido preventivamente desde novembro do ano anterior.

Voto

De acordo com Sanseverino, a representação não trouxe elementos que indicassem a prática de crime por parte do PGR.

“Em primeiro lugar, é importante destacar que não se deve analisar frases (ou troca de mensagens) de forma isolada e/ou descontextualizada, para evitar a criação de situações artificiais que não representem a realidade dos fatos”, afirmou o relator.

Após revisar o caso, ele observou que “a atuação do PGR e do Gabinete do PGR [na investigação do caso Master] respeitaram os princípios da legalidade, da utilidade e da eficiência da persecução penal, além de manterem o princípio da independência funcional”.

O relator aceitou, por exemplo, as justificativas de Gonet para não ter concordado com a prisão preventiva de Vorcaro, que ocorreu em 17 de novembro de 2025, por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesse dia, Mendonça atendeu ao pedido da PF para a prisão de Vorcaro, mesmo com a negativa da PGR. Gonet defendeu que discordou da prisão em razão do curto prazo de 72 horas concedido pelo relator para que a PGR examinasse milhares de páginas de documentação sobre a detenção de 10 indivíduos, incluindo o ex-banqueiro.

Além disso, Gonet declarou que o relator não demonstrou a urgência na análise das medidas restritivas de liberdade, considerando que naquele momento não havia ninguém preso no caso.

Em seu voto, Sanseverino ressaltou que “o PGR se posicionou, em várias ocasiões, a favor da manutenção da prisão preventiva do investigado Daniel Vorcaro; em outros pedidos e incidentes, buscou garantir que a investigação tivesse andamento célere, adequado e eficaz, com a apuração dos fatos, delimitação dos tipos penais, e a revelação da pena de cada um dos envolvidos.

Amizade

O subprocurador também rejeitou a ideia de que existiria alguma amizade entre Vorcaro e Gonet. O relator enfatizou que “não há registros de comunicação direta entre o investigado Daniel Vorcaro e Paulo Gonet. Isso já enfraquece a alegação de uma suposta ‘amizade íntima’ entre eles.”

Referente à suposta menção a Gonet em uma anotação do celular de Vorcaro, cuja PF afirma ser uma mensagem de visualização única enviada ao ministro Alexandre de Moraes, o relator indicou que não foram encontrados indícios de que o texto tenha sido realmente enviado.

A anotação dizia “tem que reforçar com Andrei e Paulo para não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco”.

Os investigadores alegam que se referem a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF. A suposta mensagem teria sido enviada em meio a discussões sobre as apurações do Master. A resposta do destinatário não pôde ser recuperada, conforme informado pelos responsáveis pelo relatório.

“Não podemos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, é outra mensagem que, segundo o relatório da PF, teria sido enviada.

Foto

Sobre uma imagem divulgada na semana passada, em que Gonet aparece segurando um charuto à mesa com copos de uísque, acompanhado por outras pessoas, inclusive Vorcaro, o subprocurador Sanseverino também considerou que isso não é prova suficiente de uma amizade íntima.

Para o relator, “foi apenas um evento isolado e um encontro social superficial, na presença de várias pessoas”. A foto foi tirada em 2024, quando Gonet viajou a Londres, com despesas pagas, para participar de um fórum jurídico patrocinado pelo Master, entre outras empresas.

“Se, a partir desse encontro em ambiente social, de forma isolada e superficial, na presença de outros indivíduos, entre o PGR, Daniel Vorcaro e outros convidados, criou no investigado Daniel Vorcaro a expectativa de estabelecer, a partir daí, algum tipo de relação ou vantagem em relação ao PGR, é correto afirmar que os eventos posteriores, depois que o PGR tomou conhecimento da investigação criminal do caso Master, não corroboraram essa expectativa”, completou Sanseverino.

Relatório

Como responsável pela PGR, cabe a Gonet opinar sobre diligências ou sobre a presença de crimes em todas as investigações criminais em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), como é o caso da Compliance Zero.

As menções a Gonet no celular de Vorcaro foram reveladas após o relator do caso no STF, ministro André Mendonça, ter levantado o sigilo, em 1º de setembro, de um relatório que a PF afirma conter mensagens enviadas pelo ex-banqueiro ao ministro Alexandre de Moraes, também do Supremo.

Gonet requisitou ao STF a anulação do relatório, argumentando que Mendonça não poderia ter autorizado a PF a avançar em investigações envolvendo um colega de tribunal, pois isso usurparia a competência exclusiva do plenário do STF para processar e julgar.

Desde então, outras menções a Gonet em conversas de Vorcaro com o advogado Ciro Soares, amigo do PGR, foram reveladas.

Entre essas menções, consta uma parte em que Soares diz estar enviando, a pedido do “PG”, uma mensagem de “parabéns a vocês”. Gonet assumiu a autoria da frase, que se referia a negócios fechados entre o Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), mas afirmou que agiu por cordialidade e antes de surgirem suspeitas sobre os problemas do ex-banqueiro.

Em outra menção, Soares pergunta a Vorcaro se seria possível financiar a ida do filho de Gonet para Londres junto com o pai, que participaria da edição de 2025 do mesmo fórum jurídico do ano anterior. O PGR nega que a iniciativa tenha partido dele ou que qualquer viagem tenha sido paga ou realizada. O fórum acabou sendo cancelado após a eclosão do escândalo do Master.

Comentários:
Capital Brasil

Publicado por:

Capital Brasil

Lorem Ipsum is simply dummy text of the printing and typesetting industry. Lorem Ipsum has been the industry's standard dummy text ever since the 1500s, when an unknown printer took a galley of type and scrambled it to make a type specimen book.

Saiba Mais

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!